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sábado, 30 de janeiro de 2010

Roteiro – Aula 4

Nosso curso contou mais uma vez com a experiência do excelente Claúdio Costa Val.

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Nesta aula, em específico, alguns roteiros produzidos por membros de nosso grupo foram apresentados.
A aula foi iniciada com a leitura da mensagem “Coisas invísiveis”, do Livro Pão Nosso, ditado pelo espírito Emmanuel na psicografia de Francisco Cândido Xavier.

CAPÍTULO 55 - COISAS INVISÍVEIS

“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade se estendem e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas.” 
Paulo - (ROMANOS, CAPÍTULO 1, VERSÍCULO 20.)


O espetáculo da Criação Universal é a mais forte de todas as manifestações contra o materialismo ne¬gativista, filho da ignorância ou da insensatez.   São as coisas criadas que falam mais justamen¬te da natureza invisível. Onde a atividade que se desdobre sem base? Toda forma inteligente nasceu de uma disposição inteligente. O homem conhece apenas as causas de suas realizações transitórias, ignorando, contudo, os mo¬tivos complexos de cada ângulo do caminho. A pai¬sagem exterior que lhe afeta o sensório é uma parte minúscula do acervo de criações divinas, que lhe sustentam o habitat, condicionado às suas possibi¬lidades de aproveitamento. O olho humano não verá, além do limite da sua capacidade de suportação. A criatura conviverá com os seres de que necessita no trabalho de elevação e receberá ambiente ade¬quado aos seus imperativos de aperfeiçoamento e progresso, mas que ninguém resuma a expressão vital da esfera em que respira no que os dedos mortais são suscetíveis de apalpar. Os objetos visíveis no campo de formas efêmeras constituem breve e transitória resultante das forças invisíveis no plano eterno. Cumpre os deveres que te cabem e receberás os direitos que te esperam. Faze corretamente o que te pede o dia de hoje e não precisarás repetir a experiência amanhã.

Livro Pão Nosso – Pelo Espírito de Emmanuel

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Costa Val deu início a sua exposição com a exibição de dois curtas, produzidos na Escola Livre de Cinema.
Os curtas, “O Primeiro passo”, dirigido pelo próprio Costa Val e “Quatro passos”, dirigido por Gabriel Martins Alves, mostraram personagens vivendo situações bem incômodas. Os filmes tem em comum, além do título, personagens que estão numa realidade surreal e desperadora; personagens que não encontram respostas para os seus dramas subjetivos e estão numa situação limítrofe. 
Imagem 011(2)Em “O Primeiro passo”, a personagem sofre em delírios, dentro de um cenário que relembra episódios de sua vida. Uma suposta relação incestuosa entre ela e seu pai define todo a pertubação interior da personagem. Objetos e imagens que remetem ao passado da personagem, um telefone que toca incessantemente e a vozes que lhe chamam todo o tempo, oferecem um tom pertubador ao filme.

Já no curta “Quatro passos”, a personagem, misteriosamente, acorda repetidas vezes dentro de um cenário confuso e se encontra sempre com um rapaz que lhe diz frases sem nexo.

Diz Costa Val:

O primeiro filme, tem uma estrutura redonda, misteriosa. A leitura vem de várias coisas e da vivência. São filmes bem fortes, que nos colocam numa situação incômoda, e ruídos torturantes, que nos remetem ao estado dos personagens. Ambos personagens encontram respostas. Ficamos aliviados quando eles encontram suas respostas. Vocês estão trabalhando a temática espírita. Esse filme “Quatro Passos” a estrutura é celular, a personagem acorda e sai pra rua, apénas na terceira vez é revelado o motivo. São pontos de virada que nos colocam no mesmo estado da personagem.   Novas informações nos promovem supresa e nos coloca na mesma posição do drama vivido. Esses curtas exibidos são filmes de suspense. Esta é a visão Aristotélica, é o que ocorre, por exemplo, em filmes como O sexto sentido, onde personagem e telespectador entendem a trama ao mesmo tempo. E é quando isso acontece para o personagem e o telespectador,  que temos o efeito dramático.

A aula prosseguiu com a análise de alguns roteiros de nossa turma. Costa Val analisou minuciosamente os roteiros escritos. Os roteiros em questão foram “Meimei” (de Juliana), “O pão” (de Aléxia), “O recomeço” (De Daniel), “Pequeno grande presente” (De Daniela), “Pequenas Lâmpadas humanas”, (De André) e o roteiro do nosso companheiro Fredinho que é o Pai mais “fresco” da turma e não esta podendo comparecer a as aulas por ter que dar suporte ao seu novo rebento! Que Jesus Abençõe (Estamos sentindo a sua falta!)
 
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Costa Val, criticando construtivamente nossos trabalhos, chamou a atenção para o fato de que, algumas histórias que grupo construiu estavam por demais didáticas . Diz o professor:

Temos que achar o meio termo para criar interesse no telespectador. Senão se torna algo enfadonho. O que nos guia é sempre o Pitch Line. Quando temos o Pitch line como guia temos todos o universo à nossa frente. (…)

O livro “Da criação ao roteiro” de Doc Comparatto, diz que um roteiro tem uma cara pronta pra filmar somente depois da décima reescrita. (…)

Todo personagem numa estrutura dramática se ferra. Mas ele sempre acha uma saída. Um personagem que se sacrifica por algo que ele acredita é bem melhor. (…)

Nosa colega Aléxia também comentou:

Não é o trato da escrita em si que é complicado, mas como a história vai aparecer na imagem…

Comentou querendo dizer que o mais dificil é imaginar a ação no sendo colocada no papel e nem tanto a carpintaria da escrita do roteiro.
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Costa Val prossegue:

Na nossa formação trabalhamos o logos e a palavra. Escrever para imagem e para som, necessita de um apuro técnico e criativo. Quando estamos escrevendo qualquer obra dentro de um objetivo, quremos que o telespectador admire a obra. (…)

Em relação à temática espírita, como ser menos explícito? Se eu me disponho a falar de determinado assunto é preciso conhecer deste assunto. (…) Tem que haver uma expectativa, uma apreensão. (…) Devemos analisar tecnicamente o conteúdo e perguntar smepre O QUE, ONDE, PORQUE E QUANDO. (…)

Costa Val também comentou a importância de se valorizar as cenas de transição e solicitou Imagem 013(2)que reescrevêssemos certas cenas dos roteiros, colocando alguns conflitos na ação. Alguns diálogos estavam didáticos ou literários por demais, por serem alguns, adaptações de livros. Por outro lado, alguns roteiros tinham muitos diálogos, se tornando por demais extensos. Por isso foram sugeridas algumas modificações.

Diz o professor:

Alguns roteiros ficaram por demais didáticos. Vocês tem que transformar isso em mais ações e diálogos mais curtos. Se faz preciso dividir os apontamentos em cenas bem delineadas. Eu acho que vocês precisam fazer uma reescrita desses roteiros. Na escrita do roteiro nos somos obrigados a dialogar com tudo. É importante perceber nos bons filmes o que tem informação clara e passar falsas pistas…

A aula foi finalizada com a exibição do making off do filme ”Bem próximo do mal”, de Sérgio Gomes, o Serginho, professor de técnica cinematográfica de nosso curso.

O que chamou a atenção do grupo, foi o fato de que o filme “Bem próximo do mal”, foi orçado em cerca de um milhão e meio de reais. No entanto, devido a falta de patrocínio e apoio, o filme foi produzido com R$7.000.

Serginho diz que:

“Pouco dinheiro exercita a criatividade. É um filme fiel ao roteiro, sem abrir mão da qualidade”.

ABRAÇOS A TODOS E ATÉ A PRÓXIMA!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Aula de roteiro – Aula 4

 Por Juliana Luiza
Vídeos: Henrique Lisboa



Nosso curso prosseguiu com a quarta aula de roteiro, proferida pelo excelente Claúdio Costa Val, que mais uma vez encantou a todos com sua enorme gama de conhecimento e paixão pela sétima arte. Claúdio iniciou a aula resumindo a aula anterior, onde ele havia abordado a noção sobre as chamadas cenas essenciais, que foram então definidas da seguinte forma:

1-Cenas Essenciais

1.1- Cenas de Exposição
1.2- Cenas de Preparação
1.3- Cenas de complicação.
1.4- Cenas de clímax
1.5- Cenas de Resolução


Neste sentido, Costa Val elucidou:



“Escrever um roteiro é montar um quebra cabeça. É pensar qual o momento eu introduzo ou reintroduzo determinada informação. O conflito é casado com o personagem...com seus problemas e obstáculos. O protagonista está sempre em conflito. Existem situações arquétipas das mazelas humanas como se vingar de alguém por exemplo. O ponto alto do gráfico gramático é o clímax."


Recapitulando a questão das cenas de exposição, Costa Val elucidou o clássico de Alfred Hitchcock, A sombra de uma dúvida (A shadow of the doubt,1942). No filme, o personagem Charlie Oackley é um criminoso que seduz e mata viúvas. Para fugir da polícia, ele acaba indo visitar sua irmã Emma, que vive com seu marido e sua filha Charlie. Com a convivência, Charlie - a sobrinha - começa a cada dia mais desconfiar de que seu tio não seja realmente a pessoa que diz ser. Salienta Costa Val:


"Este era o filme que Hitchcock mais gostava e foi totalmente feito em estúdio. O Hitchcock constrói um filme didático sob o aspecto dramático e sob o aspecto de planos e enquadramentos. Ele contextualiza a cidade, como se fosse o "era uma vez" de uma determinada história; Fazendo uma contexualização geográfica, ele mostra os planos gerais e conjuntos: Nesta rua, nesta casa, nesta janela. O Hitchcock só coloca em cena aquilo que é fundamental.".

Prosseguindo a revisão sobre a noção de exposição no desenvolvimento do roteiro, o professor descreveu uma cena, onde se faz nítida a incrível habilidade do mestre Hitchcock na apresentação de um determinado contexto:

"Entra a criada: senhor Charlie...tem dois homens querendo falar com o senhor. O Charlie vê um cara parado em frente ao prédio-aí já aparecem interrogações no telespectador. Charlie desce pela rua e passa entre os dois caras, que começam a andar atrás dele- Aqui ele já nos apresentou o filme, sem nos apresentar nada. Depois, o telefone. Não sabemos para onde ele está ligando. (...).
No entanto, 90% do filme se passa em Santa Rosa, na California, onde se dão as cenas de preparação. Quem é esse Charlie? Nas cenas de preparação ele chega em Santa Rosa. Descobrimos que a menina é a sobrinha. Em diante se dão as cenas de complicação. No filme, o elemento complicação aparece no começo, com as cenas da polícia procurando o assassino de viúvas".



Costa Val ainda salienta que é interessante perceber que não existe uma regra muito clara na exposição. No filme citado, a exposição, através dos planos e enquadramentos, foi feita geograficamente.O professor, abordando outro aspecto da questão dos planos e enquadramentos citou o filme "Encurralado", (Duel 1971):


"Um caminhoneiro alucinado persegue um cacheiro viajante. O antagonista é o caminhão. É como se fosse personificada a máquina, através de planos e enquadramentos mirabolantes. (...) O clímax é o precipício- breve momento para onde tudo se converge".


Neste instante, nosso colega Fred faz um comentário:" Sem o clímax você não chega na resolução".


Prosseguindo, Costa Val salienta que é interessante ver os bons filmes para entender os aspectos de introdução:


Na mobilidade da câmera e nos aspectos da montagem o trabalho é desenvolvido casado com o drama.


O professor ainda citou outros elementos,que integram todo o contexto da ação cinematográfica, salientando que a música acompanha o drama. Segundo ele existem também filmes sem música nenhuma, como "Entre os muros das escola" ((Entre les Murs, 2008), que trata a questão dos segregados nas escolas francesas, onde o tratamento não é igual. Segundo Costa Val o filme parece um documentário, foi estruturado narrativamente como um documentário. Abaixo, cenas do filme:



Costa Val também citou a ausência de música do filme "A casa de Bernarda Alba", baseado na peça de Garcia Loca: O filme é sombrio, passado na casa da Bernarda Alba. Depois da morte de seu marido, Bernada Alba obriga suas filhas a seguir um rígido luto que não as permite nem sair de casa. A música somente volta no final, com um flamenco fandando. O final é extremamente trágico...

Abaixo cenas do filme:                    


A aula prosseguiu abordando a questão das cenas intermediárias de ligação (ou transição). O professor estruturou esta abordagem da seguinte forma:

2. Conexão orgânica entre as cenas-O que se faz importante neste sentido são por exemplo os aspectos da temporalidade e da contextualização geográfica.

2.1 Cenas de Passar do tempo- Neste sentido o professor citou a cena de uma "abóboda celeste passando", quando rapidamente o sol vai surgindo no horizonte. Nuvens são também elementos de passagem de tempo. Para ilustrar a questão da passagem de tempo, Costa Val citou o clássico "O Selvagem da motocicleta" (Rumble fish, 1983)de Francis Ford Coppola. No filme as primeiras cenas que se vê são imagens de nuvens em alta velocidade, nos remetendo a certa visão do apocalipse, dos finais dos tempos.   Diz Costa Val: "


"O Coppola insere durante todo o filme uma cena de céu que não é somente passagem de tempo. Isso é reicidente no filme. Costa Val ainda salienta que nas cenas de passagem de tempo, o objetivo é mostrar a transição da história. A natureza é elíptica. Clichês como um relógio na parede, ou as folhinhas(calendário) passando depressa, ou as cenas de um jardim onde caem folhas, que vão ficando secas...ou as cenas de um jornaleiro entregando vários jornais, denotam passagem de tempo".

Abaixo cenas do filme:


Neste sentido, o professor citou a comédia romântica, “Um lugar chamado Nothing Hill” (Nothing Hill, 1999), com Julia Roberts e Hugh Grant. No filme, o personagem de Hugh Grant, um inglês que tem uma vida provinciana, apaixona-se pela personagem de Julia Roberts, que é uma famosa atriz de Hollywood.  Salienta Costa Val:

"No filme, uma belíssima cena de passagem de tempo é mostrada no terceiro ato do filme, demonstrando a passagem do período de um ano através do esteriótipo das quatro estações. Neste sentido é mostrado o cenário de uma feira de rua, onde Hugh Grant está andando. Numa caminhada passam-se as quatro estações".

Abaixo um vídeo da referida cena:


Costa Val ainda acrescenta que podemos demonstrar passagem de tempo às vezes com um simples corte ou com uma legenda:
"Uma Casa pegando fogo numa noite e amanhecendo em ruínas no dia seguinte, também demonstra passagem de tempo."

O professor também citou o filme “As horas”, (The Hours) onde a atriz Nicole Kidman, irreconhecível fisicamente, interpreta Virgínia Wolff. Diz Costa Val:

“ O filme se dá em três histórias paralelas. Começo do século, meio do século e atualidade.

Continuando, o professor cita a demonstração de passagem de tempo no referido filme:

“ Em frente ao espelho, Virgínia Wolff enxágua o rosto. Quando se levanta, outro personagem aparece".

Neste sentido, portanto, aparece o conceito do corte, na “emenda”, por assim dizer, de épocas diferentes. Abaixo, as cenas citadas do referido filme, que ainda tem no elenco as excelentes Meryl Streep e Julianne Moore:

 
Diz o professor que se faz preciso a criatividade no cinema. Neste sentido, o professor elucidou o filme o filme Profissão repórter (The passenger-1975), com o excelente Jack Nicholson. No filme, o personagem de Nicholson interpreta um jornalista esgotado em relação à própria vida, que troca de identidade com um homem morto. Na cena onde Nicholson assume a indentidade do morto, a câmera “corta”eu seu personagem, demonstrando que o tempo passou rapidamente.Relembrando uma conversa que teve com o falecido, o personagem logo étrazido para o cenário onde ele começa a elaborar a troca deidentidade. Neste sentido, acontece,demonstrando a questão da transiçãodas cenas (Fade in, fade out segundo o professor).


Abaixo, as cenas elucidadas do referido filme:
 

2.2- Cenas de contextualização geográfica

Onde se passa a ação? Na questão as novelas televisas se dá a questão do resgate do plot remoto. Diz Costa Val:
“Constamentemente eu tenho que lembrar o telespectador onde está acontecendo a ação”. Assim a faixada de um casarão ou a faixada de um prédio são elementos de recaptulação das sequências anteriores.Por outro lado, o cinema tem uma narrativa monomórfica, que aborda o mesmo assunto em toda a narrativa. Acontece uma narrativa contínua e sem corte".

Neste instante, o professor abordou a lembrança do inesquecível clássico de Stanley Kubrick, "2001, uma odisséia no espaço" (2001, a space odissey, 1968). Costa Val comenta que se faz lamentável a exibição neste filme na tv, na medida em que sequências antológicas são cortadas.
Segundo ele,a interrupção com o  comercial tira todo o efeito de cenas como aquela onde o macaco joga o osso para cima, fazendo uma espécie de fusão com a nave espacial.
Abaixo a referida cena:



Continuando ainda a enfatizar o aspecto da linguagem televisiva, Costa Val comenta:

“A narrativa televisiva, de network, se sustenta pelo diálogo. A linguagem é massiva, , com break de 12 em 12 minutos aproximadamente"

Comparando à linguagem televisão ao cinema, o professor acrescenta:


“No cinema o que sustenta é a ação. Um plano geral, como um vale enorme,ou uma carroça tem um certo impacto. Já na tv, uma corraça é um beicinho de pulga”.

Neste sentido, o professor fez uma piada em relação ás dimensões mínimas da televisão se comparadas ao cinema. Outra comparação em relação à exibição televisiva, foi feita com o já citado “2001, dizendo que tudo se perde numa telinha.

O professor, também comparando a questão das exibições na tv e no cinema, fez uma crítica a um filme produzido por ele próprio, A cartomante. Diz o professor:

“ Eu finalizei esse filme em película. Eu não fiz uma cena de contextualização geográfica. Me faltou um plano que passou batido. Faltou uma plano dentro da casa do Camilo para a casa do Vilella. Para o vídeo, eu fiz uma fusão que resolveu. Mas em película isso é muito difícil e caro. A contextualização geográfica muda a sequência. A função desse tipo de cena é demonstrar onde acontecem as ações.                                                                                                
Abaixo cenas do curta produzido por Costa Val no ano de 2000:                                             

Neste instante, o professor elucidou que sempre que se produz algum roteiro, se faz necessário fazer duas perguntas:

1) De que trata a história?
2) Como contar a história? O roteiro sugere alguma coisa?

Neste sentido ele elucidou que se pode encontrar elementos em outras obras:

“Eu li seis traduções diferentes de Mcbeth.”


A aula proseguiu com Costa Val abordando os outros aspectos da estruturação das cenas na ação direta:              

3- Cenas de flashback: Têm função dramática, denotando uma volta no tempo.                                                              
3.1- Flashback explicativo- Há uma justificativa de cenas que aconteceram anteriormente. O roteiro neste sentido, preserva a ação direta e a ordem cronológica dos fatos ocorridos. -

3.2-Flashback evocador-Evoca a lembrança, evoca uma memória. Traz aspectos ocultos do personagem; do seu passado remoto ou recente que tem uma conexão com o presente. O professor acrescenta:

"Eu nunca escrevi num roteiro a palavra flashback. Eu nunca escrevo frases como seus olhos se perdem nas lembranças...O flashback precisa ter uma função dramática".                  

Para ilustrar um pouco mais a questão dos flashbacks, Costa Val fez menção do filme “Os últimos passos de um homem” (Dead man walking), com Sean Pean e Susan Saradon.
                                                  
"No filme, Freira que trabalha junto à comunidades carentes decide responder às cartas de um homem condenado à morte. Ela passa a visitar o homem no presídio e acaba criando um vínculo de amizade. Na narrativa, em um determinado momento, o telespectador pode duvidar se o crime foi cometido ou não. O uso de flashbacks é um elemento importante na ação: “No filme, o telespectador duvida em um certo momento se o crime foi cometido ou não”.


3.4- Flashback atípico-Demonstram fragmentos de um determinado acontecimento, mas não demonstram realmente o que aconteceu.
Durante todo o filme “Dead man walking”, por exemplo, são mostrados fragmentos dos crimes supostamente cometidos pelo personagem de Sean Penn; mas esses fragmentos não são mostrados claramente, causando então a dúvida no telespectador.

Salienta Costa Val sobre o filme:

“Atores como Sean Penn, Susan Sarandon e George Cloney são críticos da sociedade americana. Minutos antes do personagem de Sean Penn ser executado, ele finalmente admite a culpa. Aí vem finalmente o flashback explicativo mostrando como foi toda a sequência do crime”

Costa Val também cita a frase, que marcou as últimas cenas do filme, proferida pelo executado Sean Penn, que teria o direito de dizer suas últimas palavras: “Eu acho que matar é errado. Eu errei e todos vocês estão errando comigo”.

Ainda incrementando a questão dos flashbacks, Costa Val trouxe à tona o belíssimo filme “Herói” (Hero, 2002),do diretor Zhang Yimou, tendo Jet Li no elenco. Com poderes sobrenaturais e muita coragem, um soldado, Sem Nome (Jet Li), parte em uma missão de vingança contra o terrível exército que massacrou o seu povo. Segundo Costa Val, o filme demonstra a educação para a estética:
“Esteticamente o filme é bonito e é todo constrúido em flashs. O filme é recheado de coreografias e começa com o imperador contando uma história. Cada vez que volta um flashback a cor muda, em razão do caráter e da intencionalidade que ou autor constrói para o seu personagem. No final do filme, uma nuvem de flechas deixam a forma do imperador no portão do palácio”.
4- Outros tipos de cena
4.1 Cenas oníricas - Costa Val concebe essas cenas como cenas de sonhos. Segundo o professor, essas cenas de sonhos tem uma função dramática interessante, pois são por vezes esteticamente diferentes e trazem à tona aspectos do personagem. Segundo o professor, as cenas oníricas trazem o questionamento: Até que ponto existe a diferença entre o real e o imaginário"? As cenas oníricas geralmente têm um tratamento à parte. (...). O professor também comenta sobre sua própria experiência em relação a esse tipo de cena:

"A cada vez que aparece uma cena de sonho num filme eu procuro colocar um elemento a mais...vou avançando na história".

4.2- Cenas de flashfoward- O professor define essas cenas como sendo uma espécie de avanço no tempo, se traduzindo portanto num avanço no tempo.
Para exemplificar esse tipo de cena ele citou o filme Premonição (Final destination- 2000). O filme, que o professor e vários membros de nosso grupo consideram como sendo Minutos antes da decolagem de um vôo para Paris, um garoto tem uma premonição de que o avião explodirá logo que os motores se ligarem. realmente muito ruim, aborda a questão da visão do futuro.                                                                       



Ainda sobre a questão do flashfoward, o professor comentou os filmes de comédia, onde um determinado personagem imagina uma mulher estonteante e de repente ela se transforma num monstro. Costa Val também comentou sobre o filme “A hora da zona morta” (The dead zone, 1983), do diretor David Cronenberg, com Christopher Walken. No filme, um Homem passa a ter visões do futuro, depois que desperta de um longo coma. Comenta Costa Val:                                                                                                              

“O personagem principal é um vidente e o filme é recheado de flashfowards (...). Um menino com patins vai morrer por exemplo, essa situação vai atormentá-lo. Ele descobre um político que causaria a terceira guerra mundial e essa situação o pertuba... Ele descobre que ele tem o poder de mudar o destino".

Costa Val prosseguiu a aula esmiuçando, por assim dizer, os aspectos concepção da cena.
Como abordado em outras aulas,o roteiro é formado por cenas e cada cena tem um espaço específico para cada informação. Diz o professor:

“O que acontece dentro da cena? A unidade dramática do roteirista é a cena”.

Neste sentido, o professor estruturou o seguinte esquema no quadro: Plano-cena-sequência-filme             

Acrescenta Costa Val:

“O roteirista escreve pensando na cena.  Eu posso ter uma cena de um plano e uma cena de 10 planos. Ocorrei aí uma decupagem (...) A caneta do diretor é a câmera. Um filme está ligado a três movimentos: Interno(do intérprete), externo (da câmera em si) e montagem (da associação)".
Proseseguindo, Costa Val comentou que os elementos constituintes da estruturação de um roteiro:

A)Cabeçalho

Nesta parte informa-se o número da cena, local onde se passa e a luz ambiente.
Costa Val deu alguns exemplos de cabeçalhos:

# 1 SALA DE VISITAS (lugar) INT (ação) DIA (tempo):
                \Número da cena)                     \(interna)
--------------------Rubrica de ação----------------


# 57 INDEFINIDO/INT/DIA.
Comenta o professor sobre a estrutura acima: “Eu não quero definir o personagem antes. Eu estou adiando um pouco a apresentação.
Neste sentido, ele citou o filme “Os infiltrados” (The departed), com Jack Nicholson, Leonardo DiCaprio e Matt Dammon. Costa Val relata que no filme, Nicholson interpreta um mafioso, que no início do filme é visto num cenário escuro, e no final está na luz. Portanto, a apresentação do personagem é feita aos poucos.

Abaixo o trailler do referido filme:


Costa Val fez uma comparação da estrutura dos cabeçalos citando a concepção Aristotélica na estrutura de Ação/tempo/lugar. Neste sentido comenta o professor:

                                                                               “A ação é definida no cinema para onde a câmera de encontra. Alguns autores colocam por exemplo estruturas como int/salas de visitas dia/ ou sala de visitas/ext/dia. Pode ser que a câmera esteja de fora, mostrando o ambiente da sala”.

B) Rubrica
Costa Val, introduzindo a questão da rubrica na estruturação do roteiro, começa citando uma determinada sequência:“ É madrugada. Uma porta se abre. Entra um homem. Não percebemos suas feições”.
Salienta o professor:

“Como diretor eu posso achar melhor mostrar primeiramente um determinado ambiente. O diretor vai definir o que é mais importante.A rubrica deve conter descrições do ambiente, bem como uma breve descrição do personagem e também descrição de ação de aúdio”.                                                                   

Neste sentido, Costa Val comenta a questão dos direitos autorais dentro do contexto da produção de um roteiro: “ Você pode até ter a idéia da música para um determinado filme. Mas não é bom citar por conta do direito autoral”.Ilustrando ainda essa questão, ele citou os fonogramas dos Beatles, que segundo ele jamais são vistos em filmes. . Ainda sobre a questão da rubrica, ele fez alguns adendos:
                                     
“O autor que não coloca rubrica soa como preguiça. Dificilmente escreve-se uma cena de roteiro que não tenha rubrica. Onde o personagem habita diz o que o personagem é. Na rubrica é abordada toda contextualização temporal e social, tudo o que existe relacionado ao ambiente”.

Prosseguindo na questão da contextualização do ambiente, o professor descreveu o ambiente de uma sala de aula:

"No cenário de sala de aula, por exemplo, de 18 anos... quatro alunos interessam no universo da cena. Os outros são componetes dramáticos e atuam como figurantes. Eu estou contextualizando a ação. É interessante que a cena contenha certos elementos”



Sobre a questão da formatação da rubrica, de acordo com Costa  Val, ela vem sempre no modo justificado. Abaixo, uma imagem da opção do programa word, onde se faz possível justificar o texto. A imagem demonstra a seleção da opção justificar, que é a última da sequência.
                                                        
A fonte do texto da rubrica, segundo Costa Val é sempre courier new, tamanho 12. Segundo o professor, essa letra e esse tamanho são os mesmos utilizados na máquina de escrever:





Finalizando a questão da estruturação de um roteiro, comenta Costa Val: “ Dentro da cena portanto temos o cabeçalho, a rubrica e os diálogos. Costa Val salienta que nos diálogos,geralmente o nome do personagem vem centralizado em caixa alta.
Ainda, eu posso colocar uma rubrica de intencionalidade, como um personagem cochichando".
O professor exemplificou a estrutura de uma cena onde o personagem não fala:


ANTÔNIO (VO)
VO significa voice over. (sem voz)

Costa Val também exemplificou um diálogo onde o personagem está na cena, mas não é visto:

ANTÔNIO (OS)
OS significa off screen. (fora da tela).

Finalizando sua argumentação sobre a estruturação das cenas com voice over, Costa Val comentou:


“ Pensar o audivisual é também pensar o que está de fora. Enquadrar é muito interessante. Eu estou, por exemplo escreve uma cena onde o personagem recebe outro em casa. O personagem abre a porta. Os personagens são Maria e Jonas. Maria se levanta e sai do quadro. Maria está off screen. Ela está na cena, mas não está sendo vista. Ela participa ativamente. Provalvelmente a atriz vai assistir a cena fora do quadro”




O professor prosseguiu sua explicitação, fazendo abrindo um comentário sobre a abordagem de aspectos técnico em alguns roteiros. Segundo o professor, um excesso de aspectos técnicos seria algo negativo para o roteiro:


“ Um filme é sobretudo um exercício de estética. Até que ponto se isenta a questão técnica ao se escrever um roteiro? Sid Field disse que se num longa aparece a palavra câmera mais de dez vezes, você deve então rever o roteiro. Já Lumet, ignora os roteiros que contém muitas indicações técnicas.



Planos cinematográficos                                                                                                                                           
A exposição de Costa Val foi finalizada com a abordagem dos planos cinematográficos, que segundo o professor, se inserem na decupagem clássica.
Com o propósito de esmiuçar melhor esta abordagem, Costa Val estruturou a seguinte sequência no quadro:

PG-PLANO GERAL
PC-PLANO CONJUNTO
PMC-PLANO MEIO CONJUNTO
---
PM-PLANO MÉDIO
PA-PLANO ABERTO
--
MPP-MEIO PRIMEIRO PLANO
PP-PRIMEIRO PLANO
PPP-PRIMEIRÍSSIMO PLANO
---
PD-PLANO DETALHE.

O professor comenta que cada autor tem sua nomenclatura própria em relação à estruturação dos planos. O importante é se fazer entender.
De acordo com o professor, os planos geral, conjunto e meio conjunto priorizam os ambientes descritivos.
Comenta o professor:


"O plano geral cabe muito em cenas externas como no mineirão ou numa rua. O ambiente ocupa espaço com o sujeito" (...)


Existe tambem o grande plano geral,onde uma grande dimensão geográfica é demonstrada.
Um plano conjunto, segundo o professor poderia ser conceituado por exemplo, no ambiente de uma sala.
Já no plano conjunto, percebe-se a pessoa, ou grupo de pessoas e já é possível reconhecê-las.
Por outro lado, o plano meio conjunto, segundo o professor, seria uma porção do plano conjunto. Metade de uma sala por exemplo

Já nos chamados planos narrativos,segundo o professor, a medida é a pessoa humana. Os planos médios e aberto são exemplos de planos narrativos. O plano médio segundo Costa Val, é o meio do caminho. É o ator por inteiro, em toda a sua totalidade.
O PM mostra o ator mais próximo, de corpo inteiro, e apenas alguns pormenores do cenário,desta vez completamente subordinado à presença humana.

O plano aberto, pega todo o objeto da filmagem e nada mais, focando somente no personagem de corpo inteiro, nada além disso.
Ja o meio primeiro plano, o primeiro plano e o primeiríssimo O MPPP, na visão de Costa Val, são planos psicológicos, que demonstram uma espécie de ação interior e estados emocionais dos personagens.
O MPP, conhecido também como plano americano, segundo Costa Val mostra os atores da cintura para cima. O plano americano aproxima-nos um pouco mais as figuras, cortando-as pelos joelhos.
O primeiro plano, segundo costa val faz um close no rosto do personagem.
Já o PPP, proxima mais ainda a imagem, mostrando por exemplo somente uma parte do rosto.

Finalizando a questão dos planos cinematográficos, o professor explicitou o PD, plano detalhe, que tem uma função indicativa segundo ele. O PD mostra um detalhe do rosto, de uma parte do corpo, de um objeto.

Concluindo a excelente aula, Costa Val sintetizou:
                                                                         

"Escrever um roteiro é montar um quebra cabeça. É importante que eu conheça as peças. A estrutura dramática é ambígua por natureza.”

Neste sentido, exemplificando a arte de escrever um roteiro, o professor citou o clássico “Casablanca”, com Humprey Bogart e Ingrid Bergman. O filme Conta a saga daqueles que tentavam fugir da Europa, ocupada pelos nazistas, para os Estados Unidos. A cidade de casablanca era a principal rota de fuga.

Ilsa, a personagem de lngrid Bergman, apaixona-se por Rick, o charmoso galã Humphrey Bogart, mas, em vez de fugir com ele de Paris, manda-lhe um bilhete de despedida na estação de trem.Tudo isso é contado em flashback. Anos depois já em Casablanca, em Marrocos, ela aparece com seu marido, o herói Victor Laszlo, interpretado pelo ator Paul Henreid, justamente no Rick's Bar, do qual o personagem de Bogart é dono. Eles estão à procura de um meio de fugir para a América. O sofrimento de Rick ao vê-la é inevitável e ela fica novamente dividida entre seus dois amores.

Comenta Costa Val:

“ A estação é cheia de clichês. O autor trabalha essas previsibilidades com certas potências. O filme foi filmado em plena segunda guerra, ao mesmo tempo coloca uma história de algo como plano de fundo. Ele parte sem entender o que havia acontecido
Casablanca é o melhor roteiro escrito na história do cinema. O filme é ambíguo em tudo. Humprey Bogart é um personagem 3 em 1, é encantador. Ao mesmo tempo que ele é crápula, ele é humano. Ele fugeiu da sua vida e dentro do Rick’s bar as pessoas comparam sua fuga”.


O professor ainda salienta que o Rick’s bar tem funções arquétipica no filme. A ação se centraliza portanto neste cenário, que ficou eternizado com a belíssima As time goes bye, tocada divinamente por Louis Amstrong".

                                                                                         Abaixo o vídeo da antológica cena:


Costa Val salienta que existe toda uma aura especial quando o diretor focaliza a belíssima e angelical Ingrid Bergman: “O diretor coloca toda a lente na Ingrid Bergman. Quando estamos construindo um drama, se faz preciso entender o protagonista”.

Finalizando a brilhante a aula, Costa Val, já conclamou a todos de nosso grupo a fazer o “PARA CASA”, para a próxima aula do dia 24 de Janeiro. Deveremos construir toda a estrutura de um roteiro, e se possível mandar por email para que ele corrija.


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Nossa experiência deste último Domingo foi concluída com uma excelente explanação de Ricardo Mizrahy Polakiewicz, palestrante do centro espírita Manuel Filipe Santiago. Ricardo esmiuçou brilhantemente os aspectos do trabalho em grupo, tema que se relaciona plenamente com a proposta de nosso curso.
Destacamos aqui alguns pontos importantes da explanação de Ricardo:

“Jesus trouxe uma doutrina de paz, amor e convivência. O entendimento sobre a convivência em grupo é essencial”.
Ricardo elucidou um fato curiso sobre a cidade de Uberaba, uma das cidades que mais possuem centros espíritas no Brasil:
“Como se explica uma cidade pequena ter tantas casas? Discerção. As vezes aqueles que estão contaminados pela cisão estão cheios de rancor. No Paulo e Estevão, há a oposição entre Pedro e Thiago".
Ricardo prosseguiu: “Essa é uma questão chava para vocês que estão em grupo: Nós temos que somar talentos e virtudes. Vocês enfrentarão desafios. Será mais proveitoso caminhar juntos vencendo diferenças (...)
Só quem entende que o que une é a moral comprende. Muitas vezes casas espíritas ligadas ao mediunismo acabam. O que unia o grupo? Era o fenômeno e não a moral. Enquanto existir o aspecto moral estaremos juntos nesta luta. Nós precisamos, enquanto grupo de nos unir no aspecto moral. Qual é o objetivo do grupo? Nós temos expectativas, nós temos que pensar em nossos desejos e valores para que não nos frustremos.
(...)
Ricardo, mencionou uma referência ao prefácio do magnífico Parnaso de Além túmulo, onde o então jovem Chico Xavier se autobiografa e relata as dificuldades do início de suas atividades mediúnicas em Pedro Leopoldo. Ricardo enfatiza que, surpreendentemente, a partir que a moral evangélica foi aprofundada, o grupo foi diminuindo.
Segue o trecho do livro:
Resolvemos, então, com ingentes sacrifícios, reunir um núcleo de crentes para estudo e difusão da doutrina, e foi nessas reuniões que me desenvolvi como médium escrevente, semimecânico,sentindo-me muito feliz por se me apresentar essa oportunidade de progredir, datando daí o ingresso do meu humilde nome nos jornais espíritas, para onde comecei a escrever sob a inspiração dos bondosos mentores espirituais que nos assistiam.Só nos últimos dias de 1931, com a graça de Deus, desenvolveram-se em mim, de maneira clara e mais intensamente, a vidência, a audição e outras faculdades mediúnicas.
Daí a pouco, a nossa alegria aumentava, pois o nosso confrade José Hermínio Perácio, em companhia de sua esposa, deliberou fixar residência junto a nós e as nossas reuniões tiveram resultados melhores, controladas pela sua senhora, alma nobilíssima,ornada das mais superiores qualidades morais e que, entre as suas mediunidades, conta com mais desenvolvimento a clariaudiência.
Nossas reuniões contavam, assim, grande número de assistentes, porém, a moral profunda que era ensinada, baseada nas páginas esplendorosas do Evangelho de Jesus, parece que pesava muito,como acontece na opinião de grande maioria de almas da nossa época, quase sempre inclinadas para as futilidades mundanas, e,decorridos dois anos,os assistentes de nossas sessões de estudos escassearam, chegando ao número de quatro ou cinco pessoas, o que perdura até hoje.
Acrescenta Ricardo:
“Onde tem evangelho, não tem grosseria e revide. Se eu tiver um entendimento de evangelho, as lutas internas vão se pulverizar. Esse entendimento de amor é que faz ser cinema espírita. Se não, vai ser só cinema”.
O palestrante, a fim de ilustrar o tema em questão, citou também uma belíssima frase de Walter Barcelos: “ Mais importante que o amor à verdade é a verdade do amor”
Finalizando sua explicitação, Ricardo falou: “Se esse grupo não fizer nenhum filme, mas conseguir se amar, já sairá vitorioso (...) A identidade do cristão é sentida naquele que abre mão das próprias idéias em prol do ideal de Jesus.
A palestra de Ricardo foi bastante profunda e emocionou a todos.


Abaixo o estudo feito por Ricardo, na integra.




Finalizamos nosso relato de hoje, inspirados pelo ideal de Jesus.

abraços a todos e até a próxima


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Aula de Roteiro – Aula 3

Por Juliana Luiza
Fotos: Thiago Franklin, Henrique Lisboa, Janaina Maceira, Theo.

A terceira aula de Roteiro, que contou novamente com a experiência do mestre Cláudio Costa Val, teve como trilha sonora uma fina garoa de quase verão. A aula foi iniciada com a exibição das primeiras cenas do filme Smoke (Cortina de Fumaça), escrito por Paul Auster e dirigido por Wayne Wang.
A intenção era demonstrar como a relação entre os personagens de uma determinada história pode delinear vários conflitos.



A conexão se dá entre os três personagens principais do filme, interpretados por Haivel Keitel, Willian Hurt e Harold Perrineu Jr. (Harold, ainda criança no filme, é o mesmo ator que interpretou Mercucio no filme Romeo e Julieta, de Barz Lurhmann).
Neste sentido, várias histórias são descritas concomitantemente, através de diversos personagens.
O personagem de Keitel, é um gerente de uma tabacaria do bairro do Brooklyn, na cidade de Nova York.
E ele, diariamente, tem o hábito de tirar uma foto deste local. Já o personagem de Willian Hurt, um escritor que não consegue escrever desde que sua esposa foi assassinada, é um cliente assíduo da sua tabacaria. Por outro lado, o personagem de Harold Perrineu está numa busca constante por seu pai, vivido pelo excelente Forest Whitaker. Diz Costa Val:

"O personagem Paul Bejamim (Willlian Hurt), vai construindo uma obra da vida dele. Ele está construindo uma obra para posteridade. Uma exposição permanente".

Portanto, nesta perspectiva, os personagens começam a se encontrar por causa desse incidente. De acordo com Costa Val, desde a primeira imagem, os diretores vão contextualizando a ação. Desta forma o professor elucida como a relação do segundo personagem muda a relação com o terceiro personagem.
Costa Val comenta: "Nós não sabemos efetivamente o que os dois conversaram na lanchonete, mas sabemos que o menino tem um problema. Os dois se unem para ajudar o menino.Cada história tem seu universo diegético particular. O professor ainda salienta que nos dez primeiros minutos do filme, temos uma história comum, cotidiana. Diz Costa Val: 
"O filme vai muito direto nas questões que ele deve abordar, mostrando pequenos relacionamentos cotidianos. O filme demostra que nós não somos nunca que nós revelamos que somos. Sempre há uma pessoa boa, por exemplo, atrás daquele pessoa que aparentemente não quer nos dizer nada".


Abaixo o trailler do referido filme:


A exibição do prólogo do filme na aula, demonstrou que em poucos minutos o autor nos apresenta o universo da tabacaria. Primeiramente, começa tendo como plano o metrô de New York, acom as  torre gêmeas ao fundo. Segundo Costa Val, o filme vai sendo arquitetado tal como um processo de organização mental:
"Construir uma história narrativa é como pintar um quadro. A gente planta no decorrer da história uma semente que lá no final da história vai florir. Mas no caso do quadro, temos o começo, meio e fim ao mesmo tempo.Se nós estamos criando algo é bom que entendamos. A criação é algo impreciso, mas temos que correr o risco. Por isso temos que nos rechear de informações. Os roteiristas, como no caso do filme em questão, certamente construíram os personagens"

Neste sentido, para ilustrar a questão sequencial dos roteiros, Costa Val cita Macbeth, de Willian Shakespeare com a frase "Tomorrow, tomorrow, tomorrow.....", simbolizando desta forma uma uma idéia de prosseguimento e simbolizando a relação sequencial das cenas. Assim, os elementos que são introduzidos vão criando uma estrutura sequencial, com pequenos diálogos, que vão criando a base da narrativa. No caso do simbolismo da fotografia no filme por exemplo, diz Costa Val ser um exemplo de um elemento constituinte da trama narrativa, que pode ser importante para história ou não.
Diz o professor que tudo se revela numa espécie de estudo capitular."Se tem o um vai ter pelo o menos o dois, se tem o dois, vai ter o três..."- elucida Costa Val.
Neste sentindo, configura-se uma conexão com a questão da macroestrutura na estrutura organizacional de um roteiro. Salienta Costa Val: 
"A idéia, o pitch line vai alimentando-se do drama de nossos personagens. Um personagem na ficção e outro que está na rua são personagens. Existem os dramas do cotidiano. Aí é interessante quando começamos a construir os personagens com seus dramas e limitações, tomando como base esses esteriótipos.Na peça de teatro ou num filme, temos que conceber bons personagens".

Macroestrutura
Costa Val também  sintetizou a questão da macroestrutura. Segundo ele, existe a obra narrativa, que se concebe na unidade dramática. Essa unidade dramática é dividida em cenas, sequências e planos.
Assim, a macroestrutura sustenta tudo isso, ou seja, é o esqueleto que sustenta a história.
O esqueleto da macroestrututra se resume nas maneiras com as quais o autor conta para desenvolver sua estória. Isso é o que vai levar adiante a sua narrativa.



O professor salienta que existem quatro formas clássicas inseridas no processo da macroestrutura:

1. Narrador:
É a maneira como o autor sustenta a história. Diz Costa Val que o genêro épico, por exemplo, depende sempre de um narrador. As obras Elíada e Epopéia demonstram exatamente isso. O coro grego clamava por uma explicação.  Neste sentido, o narrador sempre sabe o que aconteceu, já sabe de tudo, pois ele viveu a história.
Neste instante, para exemplificar a questão do Narrador, Costa Val citou o filme Forrest Gump de Steven Spielberg, com Tom Hanks e Matt Damon. Segundo ele, neste filme, o narrador nos descreve a história:
"O filme é a história. Não há diferença entre conflito e personagem. Nas três horas de exibição do filme, o narrador está presente 95% do tempo"

2. Legendas: Tem múltipla função e são divididas em capítulos, a partir que a história se concebe. A legenda tem a tendência de introduzir o telespectador imediatamente na história.
Para exemplificar a questão das legendas, ele deu o exemplo dos épicos cinematográficos, que são geralmente baseados em episódios históricos.
Neste sentido, Costa Val citou o filme "Gladiador" que se inicia com a Lenda "50 A.C". Costa Val salienta que com a legenda, imediatamente, você já está introduzido na história. Ele ainda citou exemplos  outros épicos como os clássicos Ben-Hur e Spartakus. Diz Costa Val :

" Um filme não pode contar com um conhecimento histórico de quem o assiste". Neste sentido, a estrutura do roteiro tem que supor o desconhecimento do receptor sobre o contexto histórico e temporal de uma determinada trama. O telespectador não tem que necessariamente conhecer previamente todos os elementos contextuais de um determinado filme".

Desta forma, o professor também salienta que aquestão da legenda, é usada fora do contexto da vida comum. Usamos a legenda para contextualizar um conflito que já existe.
Para exemplificar a questão do conflito que conduz o seguimento das legendas, o professor citou o filme Diamante de Sangue, com Leonardo DiCaprio e Jeniffer Conelly. Segundo Costa Val, por mais que fiquemos engasgados com a violência do filme, por mais que o filme nos choque, temos contato com um conflito real. O filme já nos coloca dentro de um certo universo diegético.
Costa Val comenta que

"Um filme precisa ter uma mensagem, um ethos, que te cause indignação".

Portanto, a legenda pode ter a função de nos inserir dentro de um universo com seus conflitos e dramas.
Abaixo, cenas do referido filme:

Costa Val, ainda enfatizando a questão conflitual, citou uma epígrafe de Macbeth:

"Ser um rei não é nada, é preciso sê-lo sem perigo".



Fargo, dos Irmãos Cohen, também foi citado. O filme mostra como se faz possível arquitetar infinitas formas e possibilidades de estruturas na concepção do filme. "Brincando" com o telespectador, na inserção de vários elementos e pistas, os autores criam uma narrativa genial. No filme em questão, supostamente com o incidente e as mortes, ocorridas no início da narrativa, o telespectador supõe que o a narrativa se trata de uma história real, passada em 1997, e os fatos serão contados exatamente como ocorreram. Mas tudo não passa de uma brincadeira dos Irmãos Cohen.
Essa “brincadeira” dos irmãos Cohen se torna bastante clara quando, ao final do filme, surge mais um alerta ao expectador. Dessa vez eles informam que os personagens e os eventos que acabaram de ocorrer são fictícios. Com bizarrices e situações complexas, o expectador se insere na narrativa do filme e a toma como verdade. Até que o filme acaba, com o expectador tendo a absoluta certeza de que tudo aquilo que ele viu não passa de ficção.
Costa Val salienta que tudo se faz possível acontecer no processo da estrutura do roteiro. No exemplo citado, as cores e os tons que os Irmãos Cohen estão desenhando são um símbolo o fato do ser humano tomar às vezes as atitudes mais esdrúxulas possíveis.

Abaixo o roteiro do referido filme:


Continuando a questão da macroestrutura, temos abaixo o terceiro elemento, na visão de Costa Val:

3- Ação direta: Aristotelicamente, segundo Costa Val, essa ação é estruturada em começo, meio e fim. Portanto, o filme se concebe cronologicamente.

4- Flashbacks: Para que o autor desenvolva a macroestrutura ele pode utilizar os quatro elementos. Não  se  faz necessário usar da linearidade. Neste sentido, Costa Val citou mais uma vez o clássico Forrest Gump. No filme, temos inicialmente a cena do personagem de Tom Hanks esperando o ônibus. O personagem, se utiliza de interlecutores, que são as pessoas que se sentam os bancos. Neste  cenário elevai contando a sua história, que vai voltando ao passado em várias etapas da história americana, sempre diminuindo "menos nove anos" na época citada.
Um outro elemento que envolve a trama é o lema " Run, Forrest run (corra, Forrest corra!)", que  motiva a vida do personagem durante todo o filme. Costa Val salienta que a história vai dando idas e vtidas no tempo até o fim do segundo ano. O ethos do filme, segundo Costa Val é incorruptibilidade. Forrest Gump não se deixar levar por mazelas. É um personagem que não tem malícia, o que o move é o dever. Ele dá um significado à vida maravilhoso.
 
Ponto zero                          Ponto de virada
--l---------------l----------------l--------------------l-------------------l-----
                        1                     2                           3

Abaixo, a lendária cena do filme de Spielberg, que enfatiza o "Run, Forrest Run!



Helen, integrante de nosso grupo, complementando a explicação de Costa Val sobre a questão da simplicidade do personagem de Tom Hanks, trouxe à tona o filme "Muito além do jardim.
No filme, o personagem vivido por Pete Sellers é um homem ingênuo, que passou a vida inteira cuidando de um jardim. Após a morte de seu patrão, ele é então obrigado a enfrentar o mundo e conhece uma outra realidade até então desconhecida.
Segundo Costa Val, o personagem não fala diretamente nada contra ninguém, e se utiliza sempre de metáforas, sempre relacionadas à questão do jardim, como a que se segue: "Tudo tem que plantar para se colher". Costa Val demonstra como a realidade do mundo era avessa à realidade do personagem.
No final, o personagem  de Peter Sellers vai andando por um cemitério e começa a andar na água.  Mas,  cenário da morte,  e do cemitério não o incomodam, pois ele tem outros pârametros sobre a vida. Costa Val menciona uma belíssima frase do personagem: "A vida é um estado de espírito".
Diz Helen: "Cada um enxerga o personagem de uma forma, de acordo com a necessidade e o interessse".

Abaixo, o vídeo da cena final do referido filme:


Portanto, com os quatro elementos da macroestrutura, Costa Val teceu os parâmetros de como uma história pode ser desenvolvida.
O filme "O resgate do Soldado Ryan" também foi dado como exemplificação da macroestrutura no desenvolvimento de um roteiro.
Segundo o professor, o filme se inicia demonstrando o famoso "Dia D", na ação conjunta preparada pelos aliados e a invasão da Normandia, que fora algo planejado a muito tempo.
O filme começa com uma dose de realismo chocante. "O genêro evolui com a tecnologia", salienta o professor. Costa Val  comenta também que qualquer filme de guerra sério discute a imbecilidade da guerra, e o "Soldado Ryan", não foge à regra.
O filme começa com uma cena real, vivida num cemitério. A câmera começa focalizadando o olho de um velho, e sai no olho do Capitão John Miller Jr, personagem de Tom Hanks. O personagem está tremendo. A estratégia usada no prólogo do filme, brinca com o espectador, na medida que acredita-se durante todo o filme que o tal velho é o Tom Hanks. No entanto, no final do terceiro ato, o personagem do Tom Hanks morre. Daí em diante, retorna a cena do cemitério. Surpreendentemente, o velho do início do filme é Ryan, visitando o túmulo de Tom Hanks.

Abaixo o trailler do filme:


Neste ponto, Costa Val faz um esboço da macroestrutura do filme:

Ponto 0------------1--------------2----Ponto de virada-------------3-------Epílogo (Clímax)

Comenta Costa Val:
"Nunca até então haviam feito um filme com tanto realismo. O filme começa com capitão Miller tremendo e acaba com o capitão Miller na areia, também tremendo".

O primeiro ato do filme se dá nos intensos 22 minutos iniciais, que são intensos. A praia vermelha, milhares de cadáveres boiando, mostrando realisticamente aquilo que a história escrever na porte de mais de 250000 soldados.



Escrito na mochila de um soldado vemos "Ryan".  Em seguida, aparece a cena onde mãe de Ryan recebe no mesmo dia a notícia de que três dos seus filhos foram mortos e m combates.  Diz  Costa Val:
"Mas existe o quarto Ryan. O general tira uma carta de Abraham Lincoln e sai em busca do Ryan que ficou pra trás. Para resgatar o Ryan temos que mandar alguém, o capitão Miller".


Assim, o capitão Miller lidera um pelotão que recebe uma missão fora do comum para resgatar o Soldado perdido. Neste instante ocorre o segundo ato, que segundo Costa Val se traduz na busca por Ryan que é o ponto de virada da trama.

O terceiro ato do filme, se dá quando o pelotão do capitão Miller chega na França na busca de Ryan. No entanto, surpreendentemente, ele não deseja ser resgatado.
Costa Val cita a fala do personagem: 
"Mas por que vocês vieram aqui? Não vou voltar! Por que sou diferente dos outros? Eu fiquei com os irmãos que me sobraram".

O professor ainda salienta:
"É interessante a constituição dos personagens. Qual é elemento da esperança do filme? São as latinhas que areia, que servem de salvaguarda para ele voltar pra casa".

Costa Val enfatiza o ponto de esperança elucidado, citando uma frase de Humberto Eco: 
"Todo personagem precisa de sua chave mágica".


O professor salienta que um segundo clímax acontece no final, antes da morte do capitão. Salienta Costa Val, que neste trecho, aparece a estratégia da da falsa pista. Aparece a imagem de Ryan olhando o capitão Miller morto. 
"A imagem vai envelhecendo. Então o Ryan é o velho"- salienta o professor.
A macroestrutura de "O resgate do soldado Ryan", na visão de Costa Val, se concebe na ação direta, sem legendas e sem narrador.

Dando prosseguimento à aula, Costa Val citou as narrativas multiplot. Neste sentido, ele deu o exemplo do filme Babel, de
Alejandro González. No filme são mostradas três histórias simultaneamente, não existe uma linearidade. Os pontos em comum, se tão nas histórias em paralelo.

Microestrutura
Costa Val também comentou a questão da microestrutura, que se traduz na divisão em cenas. Salienta Costa Val: 
"A unidade dramática do roteirista é a cena. A unidade do diretor é o plano. O diretor filma plano á plano. Não me interessa enquanto diretor quanto tempos vão haver numa cena. A unidade dramática se traduz no roteiro, que é divido em cenas, ações e diálogos desenvolvidos, quando houver. A microestrutura diz respeito à cena que tem valor dramático".

Neste sentido, a macroestrutura é o esqueleto e as cenas os orgãos. E as cenas de transição funcionam como se fossem articulações do corpo humano."

O professor divide a microestrutura em:
1.1- Cenas Essenciais: Várias cenas fazem parte de uma sequência. Neste sentido,o professor  exemplificou com supostas cenas que poderiam ser gravadas, por exemplo, no cenário da Praça da Liberdade. Diz Costa Val:
"A praça, a biblioteca, a lanchonete xodó, o coreto...todos esses elementos fazem parte de uma sequência. A sequência não é nem numerada. A sequência vai aparecer em termos e locação, de ambiencia. As cenas essenciais portanto, contém o fundamental para o desenvolvimento do drama".

Costa Val subdivide as cenas essenciais em:
1.1.1- Cenas de Exposição
1.1.2- Cenas de preparação
1.1.3- Cenas de complicação
1.1.4- Cenas de clímax
1.1.5- Cenas de Resolução.


Salienta o professor:
"O filme em ação direta vem nesta ordem. Uma estrutura narrativa leva em conta um lugar esse lugar chama-se clímax, que é o ponto alto do drama. O clímax é para onde a história caminha. Para chegarmos até um determinado ponto,expomos alguma coisa".




Neste ponto, Costa Val, salienta as cenas de exposição, as quais, segundo ele,  expõe o motivo e a razão de ser da narrativa.
Para exemplificar este fato, ele voltou a abordar as cenas de "Smoke", assistidas no início da aula. Comenta o professor que no filme vemos cenas de exposição tais como as cenas passadas nometrô, na tabacaria e a cena do escritor contando que sua mulher morreu Portanto, na visão do professor, as cenas de exposição têm a função de apresentar a narrativa, mesmo que não evidentemente.
Comenta Costa Val: 
"No smoke, se faz preciso introduzir coisas sérias. Mas não vai ser didático. Mas não vai ser tudo certinho. Tudo o que é didático demais é um porre".
Voltando a questão do didatismo, ele cita mais uma vez O Resgate do Soldado Ryan:
"No Ryan, o filme entra num didatismo bobo e ufanista. Algo que não se faz necessário".
O professor elucida também as cenas de preparação:
"As cenas de preparação são as cenas que nos preparam para o que virá mais parte. Um exemplo é o Ryan. Os primeiros 22 minutos do dia D começam com o clímax, mas também é uma exposição, mostrando o que é uma guerra. O filme já começa tenso. Quando o general decide que o Ryan vai ser salvo, dá-se o fim da exposição".


Abaixo, cenas do referido filme que elucidam o fatídico Dia D:



Proseguindo, Costa Val definiu as cenas de complicação  como aquelas que nos expõe as complicações da trama. Diz o professor:

"Nós já entendemos a história, então vem o grosso do filme. É onde o conflito começa acontecer. Um exercício muito bom é você perceber nos filmes onde os nós começam a ser dados. As cenas de complicação mantêm a expectativa do clímax. No exemplo do Ryan, o capitão Miller leva a história adiante. As cenas de complicação, portanto, nos preparam para o clímax."
As cenas de Clímax, foram conceituadas na visão de Costa Val como o ponto alto do drama.  Diz o professor:
"Em um filme de romance, por exemplo, o clímax é o encontro de um casal. O clímax nos leva a algum lugar. No Ryan, o clímax é o encontro do soldado".
Costa Val também comentou a questão da supertarefa: 
"Stanislavisky salienta que ao personagem o autor designa uma tarefa. No Ryan a tarefa é encontrar o soldado. A supertarefa vai além da tarefa. Esperamos que o protagonista se supere em um dado momento. Aí ele se revela. Neste sentido, voltamos à tragédia grega. O protagonista quando se sente acuado toma uma atitude. Na supertarefa,  a missão do personagem é de repente a de sobreviver a um terremoto, mas volta para ajudar os outros. Ele se sacrifica".

O professor ainda salienta que depois do clímax do filme, o que sobrou é o desfecho, a resolução.
                                -------------l-- Clímax\
                                                                         \ Resolução

Ainda sobre a questão da resolução, Costa Val salientou o aspecto das trilogias. Diz o professor:

"Não é algo recente. Tem só 2500 anos!!! A história não se fecha. No senhor dos anéis temos o primeiro, segundo e terceiros filmes."


Neste sentido, o exemplo deste filme mostrou que a questão não é resolvida. No caso de "O senhor dos Anéis", somente no terceiro episódio acontece a resolução do personagem Frodo. Nos três filmes, todos os seus companheiros reconheciam em Frodo como o único indivíduo com o caráter e a capacidade de cumprir a missão de destruir o anel. Mesmo assim, tudo deu certo graças a uma fatalidade da última cena, pois Frodo recusou-se a destruir o anel.

Costa Val também salientou as chamadas cenas de transição, que segundo ele acontecem entre as cenas essenciais. O professor exemplifica esse conceito com um personagem caminhando pela rua por exemplo, que serve como um elemento de articulação e transição.



A excelente aula de Costa Val foi finalizada com a exibição do curta "Coração de Papel".
O inusitado Pitch line do filme é o que se segue: " Homem habituado a comer papel apaixona-se por artista de origame.O filme, dirigido pelo próprio Costa Val, tem um contexto divertido e bem elaborado, com uma bela trilha sonora do grupo Pato Fu, tentou demonstrar a questão dos conceitos da complicação e exposição salientados anteriormente.

A aula de Claúdio Costa Val mais uma vez deixou todos os membros de nosso grupo estupefatos, com a excelente e grandiosa gama de conhecimento. Se faz impressionante todos os detalhes que Costa Val traz à tona sobre diversos filmes. Mais uma vez saímos satisfeitos e gratos, por toda a experiência cinematográfica que nos foi brilhantemente transmitida.






Estudo - Plano Espiritual
(Afonso Chagas Corrêa) 
 
Abaixo um relato do Estudo feito pelo Afonso. No Final você pode assistir o estudo na integra em video.
Nossa aula de Domingo, foi finalizada com uma exposição do excelente Afonso Chagas Corrêa, renomado expositor da União Espirita Mineira. Afonso salientou alguns aspectos que definem a construção do ambiente espiritual".
Naturalmente, isso ajudará muito na construção da proposta de trabalho de nosso curso, na medida que a sintonia com sentimentos positivos, nos ofertará resultados bons.
Abaixo, alguns pontos importantes da exposição de Afonso:


" Hamelet, conversando com Horácio diz que há muitas mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia. Como explicar a vida? Desde os primeiros momentos do Homo sapiens, tem-se a noção do ambiente visível e invisível (...).
Começam as elaborações espíritas sobre uma outra vida além da matéria. Paradigmas são estabelecidos, como os do céu e inferno, que são a ambientação global de duas realidades diferentes.






Por volta do século 12, Dante Aliguieri tem a oportunidade de fazer visitas à esses ambientes, definindo pontos de locação fora da matéria. Eisten, no século XX, trouxe um conceito novo de energia. Na verdade, não existe a matéria, mas uma energia coagulada. Um pouco antes de Einsten, surge o Espiritismo. Assim, não existe espaço e tempo sem consciência. O purgatório, desta forma, se revela num estado de consciência. Com a doutrina espírita, o mundo espiritual está interprenetrado e concomitante com o mundo material. O elemento que faz isso é o fluído cósmico universal, que tem como base o éter. Esse éter, que não tem eletróns, é o veículo do pensamento. O pensamento flui em todas as direções. (...)

Desta maneira tem-se a noção de espaço, tempo e consciência. Noções que se abrem na perspectiva evolutiva. (...) Onde existe pensamento existe substância e forma. O pensamento cria e irradia-se por onde deseja. (...).

O pensamento é uma capacidade humana que é impactada pelo sentir. O sentir está construído pelo reflexo condicionado. (...).

Neio Lúcio, no livro Os Escaninhos da Alma, diz que um ser humano tem em média de 60000 à 100000 pensamentos por dia. Cada pensamento constrói uma forma. Toda vez que pensamos criamos um clima vibratório. (...) Cada um observa a realidade de um ponto diferente. Deus criou o planeta terra constituído pelo pensamento. (..) Em relação à produção cinematográfica, que emoções queremos fazer o outro sentir?

Uma onda mental também é uma semente que irradia-se no tempo e no espaço. Emmanuel diz que nenhum de nós está isolado. Temos sempre uma onda de testemunhas. Qual a garantia de conseguir um ambiente saudável? A resposta está na busca de Deus.







As cenas de teatro e cinema criam um campo energético que se comunica via onda eletromagnética em relação a quem está assistindo.

O livro dos médiuns aponta que todo movimento de expressão cria um campo energético.

O quão difícil é estabelecer o belo na conjugação das cenas. O livro A grande síntese, diz que a arte é a suprema representação da alma humana. André Luiz diz que a arte é o belo produzindo o bom. Portanto, o mesmo texto escrito por duas pessoas, pode causar sensações diferentes.

Chico Xavier, por exemplo, tem uma imagem que gera uma simpatia incrível, tem uma irradiação.

O capítulo 8 do livro Pensamento e Vida, de Emmanuel, diz que eu entro em ressonância com quem pensa como eu penso. Quando os pensamentos se repetem, eles podem criar viciação. Todos nós somos seres multidimensionais.

Abaixo o Estudo de nosso querido Afonso Chagas


Terminamos nosso relato neste instante gratos e sentidos pelas excelentes oportunidades de aprendizado.




Abraços a todos e até a próxima!