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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

História do cinema – Aula 4

Sempre com muito bom humor e carisma, nosso curso contou mais uma vez com a experiência do professor Rafael Ciccarini, na quarta aula de História do Cinema.

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Rafael iniciou a aula fazendo um resumo dos principais pontos da carreira de Alfred Hitchock.

Hitchcock começou nos anos 20 (...). Ele aprendeu muita coisa trabalhando na Alemanha e trabalhou até o final da década de 60. Ele teve mais de cinquenta anos de carreira.
Ele praticamente criou o gênero suspense junto com o Fritz Lang. (...)

Todos são influenciados por ele. Hitchcock se reiventa o tempo todo. É alguém que faz filme para o público, para o telespectador, fazendo um jogo para o telespectador de psquia complexa, como ser humano complexo, sempre sofisticando algo a mais. (…)

O cinema tem um paradoxo fundamental: O Hitchcock é alguém que foi um grande expoente do cinema mundial, ao mesmo tempo que é considerado um artista. O Hitchcock é alguém que fez filme comercial ou artístico? Na verdade, ele é alguém que se tornou um grande artista dentro da estrutura tolhedora hollywoodiana. O Hitchcock tem essa carreira longa, experimentalista, sendo um cineasta respeitável pelo aspecto da montagem.


Em 1948 ele faz Festim Diabólico. Neste filme, ele queria fazer um plano de sequência e um estúdio simulando um apartamento. É o primeiro filme colorido dele. É um filme excepcional.



O professor comentou uma curiosidade:

Quem iria fazer o papel do James Stuart era o Cary Grant.

                                  O eterno galã James Stuart

Prosseguindo, Rafael comentou:

Hitchcock teve a chamada fase muda, com o Inquilino Sinistro. A carreira dele é dividida na fase Inglesa e na fase americana. A maioria dos filmes conhecidos são da fase americana da década de 40 para frente frente. (…), Nos anos 30, ele traz os filmes A dama Oculta, Os 39 degraus eo o Homem que sabia demais. (…)

Hitchcock foi o primeiro a tratar o som como motivo dramático. As coisas mais simples são tensas. A sonoplastia da faca em Psicose  é algo surreal. Ele o Lang são aqueles que mais rapidamente começaram a sofisticar o som. (…)

Nos anos 40 ele traz Rebecca. O filme traz uma personagem que já não existe mais. A ex mulher do cara morreu e ele nunca se livrou dela. A trama gira em torno de uma jovem mulher a qual nunca é nomeada, e o viúvo que tenta recomeçar sua vida após a morte de sua primeira esposa. (…)

O Hitchcock faz um flashback sem cortes. A forma como ele fez foi fantástica. No flashback toma-se a intenção como verdade. A linguagem vai sendo absorvida aos poucos. (…)


Prosseguindo, Rafael comenta sobre Pavor nos bastidores, outro filme de Hitchcock. No filme, Jane Wyman interpreta a estudante de teatro Eve Gill, que tenta inocentar um amigo (Richard Todd) acusado injustamente de assassinato se tornando assistente da estrela dos palcos Charlotte Inwood (Marlene Dietrich). Diz o professor:

Nos anos 50, Hitchcock traz Pavor nos bastidores. Quando as coisas vão acontecendo percebemos que é um flash mentiroso (...). Houveram críticas tais como “esse filme está errado, como pode ser?”
Hitchcock tinha um controle raro do corte. Ele filmava já praticamente montando. A maioria filma num plano geral, em vários ângulos. Muitas vezes diretores inseguros filmam toneladas. Hitchcock já filma montando. Ele já tinha um controle muito grandde sobre o que ele queria.

hitchcock

O genial Alfred Hitchcock


Prosseguindo, o professor comentou sobre o filme A sombra de uma dúvida, de 1942 (Shadow of a doubt). No filme, Charlie Oackley é um criminoso que seduz e mata viúvas. Para fugir da polícia, acaba indo visitar sua irmã Emma, que vive com seu marido e sua filha Charlie. Com a convivência, Charlie - a sobrinha - começa a cada dia mais desconfiar de que seu tio não seja realmente a pessoa que diz ser.
Comenta o professor:

A Sombra de uma dúvida é o filme que ele mais gosta. O mal e bem mais próximos do que se imagina.

Ciccarini também comentou sobre Interlúdio (Notorious, 1946). O filme traz a história de uma jovem mulher (Ingrid Bergman), que após seu pai alemão ser condenado como espião, passa a se refugiar em bebida e homens. É assim que se aproxima de um agente do governo (Cary Grant), que pergunta se ela concorda em ser uma espiã americana no Rio de Janeiro, onde nazistas amigos do pai dela estão operando. Ela acaba se casando com um espião nazista, mas se apaixona pelo seu contato no governo americano.
O professor comenta sobre o filme:

Interlúdio é um suspense com champagne. O garçom, as pessoas bebendo champagne (...). Essa coisa de criar o medo no trivial. A câmera do Hitchock olha com muita ironia para quem ela filma. A câmera importa. Com esse observarar da câmera ele estabelece um olhar crítico para o mundo.

O professor também comenta:

Truffaut e outros cineastas começam a valorizar Hitchcock. Existe a questão da culpa, do falso culpado. Só ele e o expectador sabem que determinado personagem é inocente. Ainda que o personagem seja objetivamente inocente, ele tem uma culpa cristã por ele merecer aquilo. Essa culpa mais profunda existencial cristão. O voeyerismo, a morte e o desejo. A sensualidade e a morte estão muito presentes em Hitchcock.
Hitchcock filma o assassianto como se fosse o amor, e o amor como se fosse a morte.


Prosseguindo, Ciccarini traz à tona o inesquecível Janela indiscreta (Rear Window, 1946). O filme se passa em Greenwich Village, Nova York, L.B. Jeffries (James Stewart), um fotógrafo profissional, está confinado em seu apartamento por ter quebrado a perna enquanto trabalhava. Como não tem muitas opções de lazer, vasculha a vida dos seus vizinhos com um binóculo, quando vê alguns acontecimentos que o fazem suspeitar que um assassinato foi cometido.

Sobre o filme Rafael comenta:

Janela indiscreta é uma metáfora existencial do cinema como ato de voyerismo. Essa coisa do desejo da morte, do perigo. O Hitchock brinca com uma série de coisas. Ela (Grace Kelly) fica forçando. O Hitchock sem nenhum diálogo mostra onde a personagem está.


Outro clássico de Hitchcock foi comentando em seguida: Psicose (Psycho, 1960). A sinopse do filme gira se inicia com a secretária Marion Crane. Cansada da vida que leva, ela rouba US$ 40 mil que deveria guardar para o chefe e foge para a Califórnia, onde encontrará o namorado. No caminho, hospeda-se num motel, onde é atendida por Norman Bates, o estranho dono do estabelecimento que parece ser dominado pela mãe.
Ciccarini comenta:

Hitchcock mostra o personagem, o conflito, traz a questão do protagonista morrer (...)

1/3 do filme traz a personagem de Marian Crane, que é assassinada. O filme muda de protagonista. Norman Bates parece. O início oferece toda a indicação que o filme vai ser sobre adultério, mas depois tudo se modifica. A polícia em Hitchock é sempre muito apavorante.
O Psicose foi um filme barato, em preto e branco. Ele achou que o filme iria ficar muito pesado se fosse feito em cortes. Quem corta é montagem, oa gudo de violino, na trilha sonora de Bernard Hermman. Ele mostra a verdade não verdade. O real da tela, não real do mundo.

Prosseguindo, o professor comentou sobre A dama oculta (The lady vanishes, 1938).  No filme, Em um pequeno recanto da Europa os passageiros de um trem ficam retidos em virtude de uma nevasca e são obrigados a pernoitar em uma pequena estalagem. Lá uma rica jovem conhece uma velha governanta e ambas combinam de se encontrarem no dia seguinte no trem. Entretanto, logo após o início da viagem a governanta desaparece e ninguém, por motivos diversos, afirma ter visto a pessoa desaparecida. Ela persiste em suas investigações e acaba convencendo um musicólogo, com quem ela tinha se desentendido na véspera.
Sobre o filme, Ciccarini elucida:

No filme, alguém que está sendo perseguido senta de frente para otura pessoa…Essa minúcia do comportamento humano é mostrada brilhantemente pelo Hitchcock.

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Ciccarini ainda comentou sobre Um corpo que cai (Vertigo, 1958).  O filme se passa em São Francisco, onde um detetive aposentado (James Stewart) que sofre de um terrível medo de alturas encarregado de vigiar uma mulher (Kim Novak) com possíveis tendências suicidas, até que algo estranho acontece nesta missão.

Ciccarini comenta:

Um corpo que cai é um dos filmes mais pesados de Hitchcock, a questão das inversões da personagem é genial.

Ciccarini, ainda elucidando Hitchcock, fez uma abordagem sobre Os Pássaros (The Birds, 1963). No filme, a pacata cidade de Bodega Bay, na Califórnia, vive momentos de terror quando milhares de pássaros se instalam na localidade e começam a atacar as pessoas.
Rafael comenta:

A todo momento nos perguntamos o por quê da questão dos pássaros no filme…o diretor consegue montar um clima dos mais intrigantes, pouco visto antes na história do cinema.

E finalizando abordagem sobre Hitchcock, o professor elucidou Frenesi (1972). No filme, mulheres são atacadas sexualmente por um serial killer, em Londres, enquanto o principal suspeito tenta, a todo custo, provar sua inocência. O professor comenta que este tenha sido talvez o grande último filme de Hitchcock.
Ciccarini ainda elucidou sobre o fato de Hitchcock fazer “aparições supresa” por assim dizer, em vários de seus filmes.
Comenta o professor:

Ele entrava de figuramente. E começou a aparecer em vários filmes…as pessoas começavam a ir ao cinema para tentar encontrá-lo…

A aula prosseguiu elucidando a figura de Stanley Kubrick. Ciccarini comentou que ele está fazendo um doutorado que elucida a carreira de Kubrick. O professor ainda elucidou:

O Kubrick é um dos diretores americanos mais sistemáticos, obsessivos e perfeccionistas. É um daqueles diretores controladores que gostam de filmar em estúdio. Kubrick começa a carreira como fotógrafo e fazendo curtas. Seu primeiro curta foi intitulado “Fear and desire.

Kubrick é um diretor que fez alguns dos filmes mais celebrados de todos os tempos.


 
Stanley Kubrick

O professor prosseguiu a aula comentando sobre o filme Glória feita de sangue (Paths of Glory, 1957). O filme se passa em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial. Um general francês, ordena um ataque suicida e como nem todos os seus soldados puderam se lançar ao ataque ele exige que sua artilharia ataque as próprias trincheiras.


Sobre o filme, Rafael ainda elucida:

Glória feita de sangue, com Kirk Douglas é talvez o último filme humanista do Kubrick. A razão humana derrotando a si próprio. O homem é capaz ddas coisas mais humanas e artrozes.Por isso que a guerra é tão decorrente em seus filmes. A bomba atômica em seu filme de 1964, doutor fantástico, é um exemplo disso.


O professor prosseguiu comentando a carreira de Kubrick e o clássico 2001, uma Odisséia no Espaço (A space Odissey, 1968):

O computador toma consciência e desafia o homem. Há uma série de leituras para os filmes do Kubrick. Em relação à elipse do Osso…o macaco pega o osso (simbólo da ferramenta). Ali ele começa a se tornar homem. O homem é um animal com mãos. O monolito pode ser Deus, uma outra civilização. Sempre que aparece o monolito há um mudança no filme. O computador Hal é o personagem mais forte do filme. A terceira parte do filme traz a última batalha do homem para ser superado…o filme vai se complicando e tem várias leituras. O Kubrick fez esse filme em 70 mm.

Kubrick é um cineasta das perguntas e não das respostas. É um cinema destituído de sentimentos. Ele virou uma figura reclusa. Kubrick filma 80 vezes a mesma cena…era perfeccionista. Trabalhar com ele era uma loucura.



Rafael fez menção a outros filmes de Kubrick, como Lolita (1962), Doutor Fantástico (Dr. Strangelove, 1964),Laranja Mecânica (A Clockwork Orange), O iluminado (The shinning, 1980), Nascido para matar (Full Metal Jacket, 1987) e De olhos bem fechados (Eyes Wide Shut, 1999) e Barry Lydon, 1975. Em relação aoúltimo filme, o professor acrescentou: Barry Lyndon é um épico maravilhoso visualmente. As cenas de luz de velas são extremamente bonitas.

Ciccarini prosseguiu a aula fazendo um resumo sobre alguns cineastas marcantes do cinema japonês. Primeiramente ele comentou sobre Yasujiro Ozu:

Ozu é o cineasta da rotina, do tempo porto. Nada acontece, quase não há ação de buscar a rotina do Cotiano. Alguns filmes marcantes de Ozur são Bom dia, Pais e filhos e Contos de Tókyo.

O professor também acomentou sobre Kenji Mizoguchi:

Não existe outra forma de fazer. A câmera de Mizoguchi sintetiza o movimento das galáxias. Seus filmes tem uma estética remanescente da arte japonesa. Eu o considero um diretor perfeito.


                                       Kenji Mizoguchi

Ciccarini também comentou sobre Akira Kurosawa, um dos maiores cineastas japoneses da história:

Kurosawa traz a idéia da dualidade. Ele consegue ser essencialmente japonês e produz um diálogo com a cultura ocidental. Um dos seus filmes mais celebrados, os 7 Samurais foi refilmado no cinema americano, como Sete homens e um destino. Ele fez também algumas releituras de Shakespeare como Ran (1985), filme basead no Rei Lear.
Outros de seus filmes excelentes são “sonhos” (1990) e Fortaleza escondida, filme que inspiraria George Lucas a produzir Star Wars.


                                            Akira Kurosawa

O professor prosseguiu comentando sobre a Novelle Vague.

A Novelle Vague foi o último grande movimento da história do cinema. É o ponto de partida para um série de jovens amigos cinéfilos discutirem cinema. Essa geração foi formada inspirada em Langlois, criador da cinemateca francesa.
André Basan foi o grande mestre desta geração. Foi uma espécie de pai para essa geração. Talvez um dos ícones mais importantes para aquela geração.
Basan foi diretor da revista cinemá e convida então aqueles jovens cinéfilos para serem críticos da revista. As idéias da nouvelle vague começam então a surgir neste contexto.



Segundo Ciccarni, a Novelle Vague tinha como uma de suas bases a questão da política dos autores. Por política dos autores se entende uma noção de cinema pessoal, que enfatiza as impressões subjetivas em detrimento de representações objetivas, apoiando os chamados autores como verdadeiros responsáveis de um filme. Autores apresentam uma visão de mundo que, no resultado final de um filme, se impõe ao trabalho dos demais membros da equipe de produção, como escritores, roteiristas, designers, atores, editores ou produtores.

O professor comenta:

A política dos autores e complexa. Idéia é uma radicalização da autoria. O Hitchcock se torna um dos primeiros paradigmas da política dos autores. O que importa na autoria é mais a misancene do que os espaços. Howard Hawks, John Ford…a forma de olhar é deles. A crítica francesa eleva portanto esses cineastas ao alto….Isso mudou o paradigma critíco do cinema.

Rafael ainda comentou que essa leitura autorista influenciaria cineastas como o próprio Michael Mann, que em filmes como Fogo contra fogo, Miami Vice e Colateral, mostra um olhar desencantado para o mundo. Os personagens são vazios, solitários. Ele mostra o homem urbano solitário contemporâneo. É alguém que filma essas impossibilidades de plenitude.


Prosseguindo a questão da Nouvelle Vague, o professor ainda comentou:

Eles sempre continuarm críticos. Na Nouvelle Vague o filme é também autoreflexivo. Godard possuiu o tempo todo essa autoreflexividade. A Nouvelle Vague era um movimento que não tinha normas rígidas. O espírito na Nouvelle Vague era filmes livres mais soltos.


O professor mostrou o vídeo de uma das mais memoráveis cenas de “O acossado”, de Jean Luc Godard, um dos mais aclamados filmes da Nouvelle Vague. Os personagens caminham por uma surreal Champ Eliseé de meados dos anos 50.

Ciccarni comenta:

59 é o ano do primeiro filme de quase todos os cineastas da Nouvelle Vague. A Nouvelle vague, junto com o neorealismo Italiano, foi um movimento que influenciou todo o mundo. (…) A Nouvelle Vague, é o único movimento cinematográfico que influenciou algo para além do cinema.

Neste momento, o professor relembrou algumas influências da Nouvelle Vague na cultura brasileira. Segundo ele, o Clube da Esquina, movimento musical das Minas Gerais, tem uma nítida influência francesa. O professor relembrou também o personagem de Pedro Cardoso na minissérie Anos Rebeldes, da Tv Globo,  que era fã de Jean-Luc Godard.


                                      Jean-Luc Godard

A montagem de Godard em O Acossado é extremamente inovadora. É um filme que tem influência do Noar americano, mas ao mesmo tempo é uma tentativa de ir adiante e brincar com as regrinhas de montagem. Acossado foi o primeiro filme a apresentar uma técnica chamada de “jump cut”, em que os cortes quebram a sensação de continuidade e surgem nos momentos mais inesperados. No filme o Belmondo está totalmente Bogart…O filme tem o Glamour do cinema Noar americano, mas você não sabe exatamente algo sobre o personagem. Na cena da Champ eliseé vemos a câmera andando atrás dos personagens. Essa cena ficou imortalizada…Diálogos triviais, câmera na mão. A da personagem com a inscrição “New York Herad Tribune” virou um símbolo para cinéfilos até os dias de hoje.

 


O professor ainda citou os principais filmes dos cineastas da Nouvelle Vague:

Godard: O Pequeno Soldado, A chinesa, O deprezo, O demônio das 11 horas, Viver a vida, Alphaville.

Truffaut: Os incompreendidos, Beijos roubados, Domicílio conjugal e Noite americana.

Shabrow: Os primos, a feia de chocolate, Comédia do poder e Garota dividida em dois.

Rohmer: O Signo do Leão, Amor à tarde, O Joelho de Clair.
Jacques Rivette: Paris nos pertence, A bela intrigante.


Prosseguindo, o professor comentou a era Pós Nouvelle Vague, com o surgimento dos chamados cinemas novos pelo mundo:

A Nouvelle Vague foi precussora de vários movimentos. Na Itália, surge Pier Paolo Pasolini, um multiartista provocador e homossexual. Alguns dos seus filmes marcantes foram Accatone, Mamma Roma e O Evangelho segundo São Mateus. Teorema de 1968, foi proibido no Brasil. É um filme forte do ponto de vista estético.

O professor também comenta a figura de Bernardo Bertolucci cinema Italiano:

Em 1964 Bertolucci traz à tona o filme “Antes da revolução”, onde ele lida com as questões da política, do erotismo e da busca do belo. O Bertolucci conseguia trazer uma mensagem bonita através das coisas triviais. O último tango em Paris foi um dos seus filmes marcantes.

                                   Bernardo Bertolucci

Ciccarini também fenção menção à figura de Werner Herzogg dentro do contexto do cinema alemão pós Nouvelle Vague:

Um dos temas recorrentes na visão de Herzogg é a loucura. Em o Homem urso, a relação do homem com a natureza é marcada pelo conflito. O cinema dele lida muito com isso…com a tentativa do homem de dominar a natureza. Na verdade, ele é um filme sobre a loucura humana. No filme Meu inimigo íntimo ele traz a questão da Kon Klux Kan. Um outro filme que marcou sua trajetória é O Enigma de Kasper Hausem.
Prosseguindo, o professor ainda citou alguns trabalhos do também Alemão Win Wenders: Paris-texas, No decurso do tempo, Asas do desejo (que segundo o professor seria a trama que deu origem ao filme Cidade dos anjos), Tão longe tão perto e O hotel de um milhão de dólares.
Rafael também citou alguns trabalhos de Rainer Fassbinder, outro cineasta alemão: O crescimento de Maria Brown, O desespero de Veronika Voss, Martha e Lola.


                                       Werner Herzogg

O professor também citou o cinema Polônes na figura de Andrzej Waja,o chamado cinesta do Holocausto, que produziu filmes como “Cinzas e Diamantes.”
Roman Polansky, o nome mais conhecido do cinema polônes, também foi citado. Como curiosidade Rafael disse que Ponlansky foi condenado por estrupo e extraditado dos USA. Além disso, sua mulher fora assassinada pelo grupo de Charles Manson.

                                      Roman Polansky

Alguns filmes que marcaram a carreira de Polansky foram O Bebê de Rosimery, O Inquilino, Repulsa. Seus filmes da era neo noar foram Chinatown, Lua de Fel, O Pianista, O último Porta e Oliver Twist.

Finalizando a aula na questão do cinema pelo mundo, Rafael citou a figura de John Cassavezes, que é considerado como sendo o pai do cienam independente norte americano.
Comenta Rafael:

Shadows, de 1959 é um filme muito improvisado. É um jazz movie que virou uma referência para os jovens mais lidos…A sua obra é uma influência do Scorsese, Copolla…a câmera presente no corpo. Corpo incômodo, como desejo, interdição.

Nossa aula foi finalizada com um estudo do excelente Afonso Chagas Corrêa, que iniciou sua fala com a leitura de uma mensagem do livro Vinha de Luz, de Emmanuel.


O teu dom

"Não desprezes o dom que há em ti".
Paulo (I TIMÓTEO, 4:14.)

Em todos os setores de reorganização da fé cristã, nos quadros do Espiritismo contemporâneo, há sempre companheiros dominados por nocivas inquietações.
O problema da mediunidade, principalmente, é dos mais ventilados, esquecendo-se, não raro, o impositivo essencial do serviço.
Aquisições psíquicas não constituem realizações mecânicas.
É indispensável aplicar nobremente as bênçãos já recebidas, a fim de que
possamos solicitar concessões novas.
Em toda parte, há insopitável ansiedade por recolher dons do Céu, sem nenhuma disposição sincera de espalhá-los, a benefício de todos, em nome do Divino Doador. Entretanto, o campo de lutas e experiências terrestres é a obra extensa do Cristo, dentro da qual a cada trabalhador se impõe certa particularidade de serviço.
Diariamente, haverá mais farta distribuição de luz espiritual em favor de quantos se utilizam da luz que já lhes foi concedida, no engrandecimento e na paz da comunidade.
Não é razoável, porém, conferir instrumentos novos a mãos ociosas, que entregam enxadas à ferrugem.
Recorda, pois, meu amigo, que podes ser o intermediário do Mestre, em qualquer parte.
Basta que compreendas a obrigação fundamental, no trabalho do bem, e atendas à Vontade do Senhor, agindo, incessantemente, na concretização dos Celestes Desígnios.
Não te aflijas, portanto, se ainda não recebeste a credencial para o intercâmbio direto com o plano invisível, sob o ponto de vista fenomênico. Se suspiras pela comunicação franca com os espíritos desencarnados, lembra-te de que também és um espírito imortal, temporariamente na Terra, com o dever de aplicar o sublime dom de servir que há em ti mesmo.

XAVIER, F. C.  Vinha de Luz. Pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro: FEB. Cópia integral do capítulo 127.

Obs: Em Breve colocaremos no ar o video do estudo feito pelo Afonso.

Terminamos por aqui, abraços a todos e até a próxima!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

História do Cinema – Aula 3

Por: Juliana Luiza
Fotos: Janaína Macieira
Vídeos: Henrique Lisboa
 
O genial Rafael Ciccarini, mais uma vez nos deu a honra de sua presença em nosso curso, impressionando a todos com sua infinita gama de conhecimentos sobre a história cinematográfica.
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Cidadão Kane - Orson Welles
A aula se iniciou elucidando o lendário “Cidadão kane” (Citizen kane, 1941), dirigido pelo também lendário e extraordinário Orson Welles. O professor iniciou a aula explicitando a dimensão do filme para a história do cinema:
É sempre um desafio. O Cidadão Kane continua sendo um dos filmes centrais da história do cinema. O meu interesse aqui não comprovar se este é o maior filme de todos os tempos. É preciso entender o por quê da impressão do filme. Quando falamos de cinema moderno, há várias coisas por trás; uma delas é Orson Welles. Se o neorealismo italiano foi fundamental para o cinema moderno, Orson welles no cinema americano, definiu a maneira de como o cinema olha para o real. Cidadão kane é de 1941. É o primeiro filme da vida de Orson Welles, que tinha então 25 anos somente. Orson tinha uma experiência anterior na arte, através do teatroe  do rádio. Mas em matéria de cinema ele era completamente virgem. Assim, ele consegue entrar em Hollywood e fazer o filme que quisesse. Na hollywood de 30 e 40 era impensável essa liberdade. Nem Francis Cappra e Hughes tinham tanta liberdade. No Cidadão kane, a história do cinema é muito paradoxal. Ao mesmo tempo que que fez Orson Welles fazer um filme genial,  também causou muitos problemas, condenando a vida dele pra sempre.

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Neste ponto, o professor resumiu brevemente a trama do filme, que elucida a ascensão de um magnata malévolo da imprensa americana, Charles Foster Kane, que de garoto pobre no interior, se transforma num imperador dos meios de comunicação.  O professor salienta que o filme foi inspirado na vida do milionário William Randolph Hearst, que é considerado um dos precursores da chamada “imprensa marrom”.  A imprensa marrom é a forma como podem ser chamados  os órgãos de imprensa considerados publicamente como sensacionalistas, que buscam alta audiência e vendagem através da divulgação exagerada de fatos e acontecimentos.
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O jovem e belo Orson Welles.

O professor perguntou se alguém de nosso grupo havia assistido o filme. Surpreendentemente, alguns membros haviam assistido somente o fatídico e polêmico “Muito além do cidadão kane”, um documentário da BBC de Londres, que faz uma dura crítica ao sistema Globo de comunicações. Segundo o professor, o nome foi inspirado no cidadão Kane, pelo fato do referido documentário tratar do tema da influência da mídia televisiva, que em meados de 1990 tinha predominantemente o domínio da emissora de Roberto Marinho.
Comenta o professor sobre a genialidade de Orson Welles:

Orson Welles foi atrevido. Ele exige um contrato de liberdade criativa….e vai fazer um filme sobre o cara mais famoso dos Estados Unidos. É um filme crítico, de olhar ambíguo. O Charles Foster Kane é o mocinho (...), mas é também a figura má, de atitudes questionáveis. Esse olhar crítico e ao mesmo tempo ambíguo não é comum. O filme relaciona à grandiosidade à pequenez.

Cicarrini também comentou sobre um filme que Orson Welles fez no Brasil. Logo após "Citizen Kane", Welles passou uma temporada no país, onde pretendia filmar o carnaval carioca para um seguimento de um documentário chamado “It’s all true”. O professor comentou:

O Hurst tentou de todas as maneiras uma guerra contra Orson Welles, que ficaria indisposto com Hollywood inteira. No segundo filme dele por exemplo, o estúdio montou da forma que quiz o filme, e também queimou os negativos. Tem até a lenda que ele nadou no Rio Arrudas e m Belo Horizonte, e esta teria sido a melhor luz que ele já filmou. Tem também a história sobre uma suposta conversa dele com Juscelino Kubitscheck, onde tentava-se criar um polo cinematográfico no morro do chapéu.

Continuando, o professor prosseguiu, comentando mais sobre a trajetória de Welles e a lendária transmissão do programa de rádio que simulava uma invasão dos Estados Unidos por marcianos:
O Orson Welles, tinha desde os oito anos uma companhia de teatro em New York, chamada Mercury Theater. Ele fez uma montagem de Mcabeth, só com as pessoas do Harlem. No rádio, ele apresentava um programa nos anos 30. Há a famosa história, onde ele abriu o programa lendo um trecho do “Guerra dos mundos”. As pessoas começam a acreditar naquilo…o país começa a entrar em pânico. O Orson Welles ficou sabendo disso e intensificou a narrativa (…) Isso deu a maior confusão. Esse evento ficou famoso, ele teve que se explicar na polícia.

Neste instante, Ciccarini, comentou sobre o filme de Wood Allen A era do Rádio, onde acontece uma alusão ao pânico criado por Orson Welles nos anos 30, no que diz respeito a esta narrativa de “A guerra dos mundos”:

Ele sai com a menina. De repente começa a narrativa…o Wood Allen sai correndo. É um momento interessante que ele alude aos anos 30.

Ciccarini prosegue:

Nos anos 30, uma trajetória no teatro, literatura e poesia, era um caminho muito comum para o acesso a hollywood. Era previsível que ele fosse para Hollywood. O ano de 1939, como eu já comentei aqui anteriormente,foi um ano muito especial para hollywood, onde foram produzidos filmes como O Mágico de Oz, No tempo das diligências, E o vento levou, entre outros…    Orson Welles queria ousar. Ele fecha com a RKO e começa a antipatizar a imprensa americana, pois ele nunca aparecia com o filme pronto…virou uma guerra, e uma ciumeira em hollywood. Orson Welles convida então o Mankiewicz para escrever o roteiro. Eles começam então a desenvolver o trabalho no filme. O estúdio então descobriu que o filme era baseado no Hurst quando o filme já estava pronto. Assim, os próprios estúdios ofereceram 900.000 dólares pelos negativos do filme. Nesse momento se deu a guerra então…Orson Welles consegue criar um clima pós lançamento para o Cidadão Kane, que já era um filme controverso. Orson Welles sempre negou que o filme fosse baseado no Hurst, que como personagem Charles Foster Kane, era casado e teve uma amante. O filme começa com a morte de Charles Foster Kane. A palavra Rosebud é a chave do roteiro do filme.

“Rosebud”, segundo o professor, foi uma alusão ao orgão genital feminino.  Neste sentido, o autor Orson Welles reservou a palavra “Rosebud” para associar poeticamente àquilo que o personagem possuía de mais íntimo, de mais particular. Comenta o professor:

“Só um cara de 25 anos, que achava que rea dono do mundo e gênio, poderia criar algum como isso”.

Ciccarini comenta mais sobre o filme:

O Cidadão Kane é importante por uma série de motivos como questão técnica, o fato de potencializar a linguagem e a mudança na maneira de filmar. Além disso, o filme não é linear….Isso faz com que o cálice de objetivo do filme melhore muito. Como ele consegue articular esses componentes? E o lançamento do filme, como foi? A RKO lançou o filme com alguma timidez. Não foi com 30% de entusiasmo. O filme não é um fracasso de público, mas não é também um sucesso. Foi indicado ára 11 Oscars e somente ganhou 1, o de melhor roteiro original. John Ford comentou: “Não sei se esse é o Oscar que eu gostaria de ganhar”.

O professor explicou que John Ford fez esse comentário justamente por todo o momento conturbado que marcou a produção do filme.

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Prosseguindo, Ciccarini deu início a exibição das primeiras cenas do lendário filme, elucidando que as letras garrafais que exibiam o nome de Welles, BY ORSON WELLES, diziam implicitamente todo o orgulho dele na criação do filme: “O filme é meu”, era o que estava implícito.

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Comenta o professor: Já há uma ironia no início do filme com a frase “No trespassing” (Não entre) numa placa. Sobre o movimento de câmera e o jogo de luzes do início do filme, potencializado na famosa cena do castelo,o professor comenta:

O que ele faz é justamente o contrário do movimento de câmera que não fora pensado até então. Ele não necessariamente criou nada, mas potencializou tudo o que tinha. O Castelo de Charles Foster Keane vai ficando cada vez mais próximo. O filme é cheio de pequenas ilusões visuais. (…) Você está do lado de forma, aí a luz se apaga. Quando a luz acende novamente, você já está do lado de dentro do Castelo. O Orson Welles era um ilusionista. “Ele diz Rosebud e morre”. Os elementos são simbólicos. A neve é simbólica. A casinha, a câmera saindo de dentro são elementos simbólicos. Quando a câmera sai, ela em tese sai da metade objetiva. É um jogo de símbolos que a visualidade compõe. A neve está perpassando ali (…). Há também uma espécie de virtuosimo na chega que a enfermeira aparece. Estamos vendo a imagem fechada. Fica parecendo que é um erro, mas não é.

Ciccarini também comenta das cenas da exibição do telejornal neste início do filme:
A trilha é de Bernard Herman, um dos maiores compositores de trilhas do cinema, que é o mesmo compositor de Psicose. As cenas mostram Charles Foster Kane numa maquiagem impressionante, já que Orson Walles tinha apenas 25 anos, e ali ele aparenta ser um homem bem mais velho.  Há um detalhe no filme: Para parecer mais velho, Orson Welles jogou o negativo no chão. Essa espécie de telejornal tem uma função narrativa de grande eloquência. Além de ser uma ironia, nós ficamos sabendo que o telejornal não está sendo exibido para o público, mas para alguns jornalistas. As primeiras informações são narrativas sobre o personagem. Dentro desta narrativa o roteiro é disparado em cima da procura por Rosebud.   Há também a relação de ambiguidade no filme. O cara vai pesquisar quem foi Rosebud. O filme tem narradores diferentes, a verdade é subjetiva. Ninguém sabe quem é Charles Foster Kane. A verdade é relativa.

No vídeo abaixo, cenas do início do filme. Não encontramos as cenas com as narrativas originais em Inglês, somente as cenas ditas em Alemão. Entretanto, as imagens resumem um pouco do contexto citado:


O professor também comenta sobre o plano de transição mostrado no início do filme, que demonstra um projetor passando... No fundo, o cinejornal, que o telespectador descobre que nunca foi exibido para o público, mas sim para a imprensa, que o está assistindo. Diz o professor:

A cena vai se desenvolvendo com apenas duas fontes de luz forte. Welles queria uma cena parciamente cura e parcialmente clara. O filme tenta exarcebar a ambiguidade das coisas: Claro e escuro/ Luz e sombra. O filme coloca a imprensa sobre um questionamento visual. Essa é uma fotografia muito influenciada pelo expressionismo alemão. O personagem fica escuro de um lado e iluminado de outro, o que seria tecnicamente errado. É muito interessante o recorte no rosto dos personagem. A luz fica na frente dele. Aí instaura-se a dúvida pela imagemm, que fica cheia de fumaça, não fica plana.

Quanto ao movimento de câmera que aparece no letreiro da cena, o professor comenta:

O movimento de câmera nesta cena é interessante.O efeito letreiro passar por dentro na fusão. A câmera sai de baixo e vai repousar no persoangem. A câmera continua se movimentando. O Orson Welles trabalha bem com o espaço onde está filmando.

Em relação à profundidade de campo, o professor exemplificou com as imagens finais da sequência, onde se dá o diálogo entre Susan Foster Kane e hum homem. Diz o professor:

É a relação com o foco que dá profundidade ao campo. A silhueta em primeiro plano é homem e a do terceiro plano é Susan Foster Kane.

Ciccarini segue explicitando as cenas do filme, à partir da cena do “Diário do tutor”. Comenta o professor:

O filme vai assumir agora o ponto de vista do diário. O narrador passa a ser o diário. A câmera se movimenta e entra metaforicamente o diário. Passou lá pra dentro.

Em relação aos planos de sequência, o professor comenta:

O menino joga a bolinha de neve. Daí acontece o corte. A partir de agora começa um plano de sequência especial: O menino bricando, aparentemente é uma imagem normal. Mas a câmera começa a se movimentar para trás, nos revelando na verdade três pessoas na cena. A profundidade de campo faz com que o menino continue no quadro. O que está sendo discutido ali é o futuro do menino. A profundidade de campo, que mostra o menino numa imagem no meio, de fora da janela, brincando inocentemente, ajuda a complexidade". Essa profundidade de campo é uma das mais notáveis do filme. O menino falando ao longe, a voz dele entrando…(..) não há corte. Orson Welles cria um móvel com roda- a câmera levanta e passa por ali.
Os outros diretores trabalham muito em corte. O Orson Welles nesta cena trabalha sem corte. O móvel com rodinha é algo que surge ali entre outras coisas. Ele consegue trazer a influência do teatro sem teatrilizar. Orson Welles  mantém o espaço para o ator atuar, não precisa cortar. O ator tem continuidade.

Abaixo a referida sequência citada, que infelizmente, apenas conseguimos encontrar com a narrativa também dublada em alemão:


Já a sequência seguinte, mostra a cena, onde segundo professor, dáse uma passagem e vinte anos muito sutil, demonstrando assim uma elipse. A câmera baixa foca no menino olhando um adulto de cinema para baixo, demonstrando então o ponto de vista infantil daquela realidade. O guardião de Kane entusiasticamente lhe deseja “a Merry christmas e a imagem corta, com o tutor desejando “A happy new year” para Charles, já adulto. A sequência segue mostrando Orson Welles pela primeira vez no filme com o seu aspecto normal, de 25 anos. A cena mostra a redação de um jornal, com pessoas indignadas em relação a algumas manchetes. O professor comenta a questão de Orson Welles usar o teto rebaixado na cena:

Não se via teto em hollywood. O Orson Welles quiz mostrar o teto no filme, inclusive rebaixado. Isso era novidade, por que ele gostava de lidar com lente e tamanho das pessoas. Quando assistimos esse filme, redimensionamos a própria idéia de cinema. Olha como o cinema é uma mentira…você só presta atenção no diálogo e no cenárío está rolando toda uma perspectiva.

No vídeo abaixo, as referidas cenas:

O professor ainda faz mais comentários sobre Orson Welles:

“Os diretores de cinema passam a assistir o cidadão Kane, que se torna então referência.     Continuando a carreira, Orson Welles faz “Soberba” (The Magnificent Ambersons, 1942). Dizem que havia um plano de sequência que foi um dos melhores de todos os tempos, mas que infelizmente se se perdeu. Dizem que ele chorou quando isso aconteceu. O filme tem um desfecho que não foi ele quem filmou, foi filmado por outro diretor.
No filme A marca da maldade (Touch of Evil, 1958), o estúido mexeu em tudo. Mas você sabe que foi algo modificado. O estúdio fez uma versão póstuma e uma versão do estúdio. Orson Welles também filmou Shakespeare: Otelo e MacBeth. Um dos seus últimos fimes foi “Air for fake”.O cinema americano é cheio de paradoxos. O Orson Welles morreu gordo e teve uma vida muito difícil.

Ainda sobre o Cidadão Kane, o professor comenta:

“O filme foi indicado a 11 oscars, mas desaparece nos anos 40. A RKO tira as cópias de circulação. A crítica americana constrói um outro discurso sobre a figura de Orson Welles. Então, desta forma, muitos diretores americanos apssam a ser valorizados pela crítica Francesa, como Alfred Hitchcock”.

Neste momento, o professor traz a lembrança do filme “Dirigindo no escuro (Hollywood Ending – 2002), onde Wood Allen interpreta um diretor cego. Neste filme, a crítica francesa o elogiou muito. Segundo o professor, em uma dada ocasião, Woddy Allen comentou: “Ainda bem que existem os franceses”.

Film Noir
A aula prosseguiu  elucidando o estilo “Film Noir. Comenta o professor:

“O nome film noir foi dado aliás pela crítica francesa. Neste estilo, há a predominância do preto, da sombra, e da escuridão…algo bem semelhante ao kane. Geralmente tramas policiais, crimes, poluição são coisas inerentes a esse tipo de filme. Existe também a possibilidade da idéia da verdade. Ninguém confia em ninguém. A trama vai sempre te enganando. A verdade é sempre mutável e transitória. Mas ao mesmo tempo muito encantador. No filme Fame fatale, com Humprey Bogart, por exemplo, existe o aspecto da sedução, que é também ambíguo. Existe também uma mistura de glamour com crítica. O visual do noar clássico é portanto o constraste de claro e escuro (…). Esses filmes foram mais comuns nos anos 40 e 50. Mas mesmo o cinema colorido tem alguns exemplos, intitulados de Noar Moderno. Podemos dar o exemplo de China Town e Blade Runner.  Esse estilo tem a influência do expressionismo alemão..e existe um vazio, você naõ sabe como é a verdade.

Os clássicos do cinema noar são Pacto de sangue, Laura, A beira do Abismo e A marca da Maldade, que são de meados das décadas de 40 e 50. Nos anos 90, o filme Los Angeles cidade proibida traz um pouco deste estilo. Sin city, de Robert Rodrigues e Femme Fatale, de Brian de Palma também mostram também. O Casablanca tem também algo do Noar. O Bogart é uma figura do Noar.

Neorealismo Italiano
O professor deu prosseguimento a aula abordando a questão do Neorealismo Italiano, qu segundo ele, é um momento central e definidor da história do cinema. Comenta o professor sobre esse aspecto:

O neorealismo italiano é o momento da história em que a história do cinema se bifurca. Rosselini vem modernizar. No período pós guerra, 1945, onde a Itália havia perdido a guerra, o que acontece nesse momento, é que até pelo facismo, os cineastas estão interessados em mostrar a realidade do país. O neorealismo traz então atores amadores e uma idéia fortemente neorealista. É um cinema que quer mostrar, mas não encenar a realidade. (…) .O estúdio principal Italiano da época, a Cinecittá, estava quebrada. É mais um cinema pensado á partir das condições.
O paradigma até então era do cinema de estúdio, com bastante dinheiro e equipamentos. Chega então o cinema neorealista, que não tem tripé e não tem muita luz, como em vidas secas, dirigido por Nelson Pereira dos Santos, onde a fotografia é arídissima. (…)
O cinema realista lida com pessoas comuns e tem um enredo simples. Neste momento, o cinema, ao invés de buscar histórias complicas, comoeça a lidar com histórias que começam a ser simples. Tolstói diz que Se quiser ser universal canta a sua aldeia.

No Neorealismo há uma mudança de paradigma. Fala-se muito do presente,tudo é quase documental. É um cinema que vai direto na realidade. Esse movimento do Rosselini, esse ato de pegar a câmera e ir para a rua liberta o cinema: Uma câmera na mão e uma idéia na cabeça (...).O neorealismo em um dado momento, começa a influenciar o cinema americano. Em Roma Cidade Aberta, Rosselini mostra a resistência contra os nazistas em roma. É quase um documentário sobre a Itália pós guerra. (…). Os filmes Noar são belos, mas tristes.

Neste ponto, o professor conta algo sobre o citado filme, o que definiu com uma semifofoca:

O Roma Cidade Aberta chega nos USA. A Ingrid Bergman fica apaixonada pelo roteiro do filme…e resolve então ir a Itália conhecer o Rosselini e se apaixona por ele”. O Rosselini fez a trilogia da guerra: Roma Cidade Aberta (1945), Paisà (1946), Alemanha, ano zero (1948).
O neorealismo dura enquanto dura o contexto do Rosselini. Então, o neorealismo enquanto força vai até a década de 50. Talvez seja esse um dos momentos que mais influenciaram o cinema, que dura cerca de 10 anos. (...) O Glauber Rocha foi uma das figuras que trouxe o estilo Noar para o Brasil.

imageimage 
A belíssima Ingrid Bergman e Roberto Rosselini

A aula prosseguiu com a exibição de belíssimas e tocantes cenas do filme Ladrões de Bicicleta (1948), de Vittorio de Sica, que de acordo com Ciccarini é um dos clássicos do cinema neorealista. O professor comenta:

Esse é um filme importantíssimo na história do cinema. O Kane, O Encouraçado Potemkin e Ladrões de Bicleta, ficam brigando para ser o melhor filme…

O filme mostra pai e filho, que são atores amadores, abaixo cenas do filme:


A trama da história se inicia quando Antonio Ricci é seleccionado para um trabalho que consiste em colocar Posters pela cidade. O grande problema é que o trabalho exige uma bicicleta e ele tinha acabado de vender a sua para conseguir sustentar a família por mais algum tempo. Sem outra hipótese, Antonio e a sua mulher Maria regressam à loja de penhores para tentar recuperar a bicicleta, trocando-a por outros bens que ainda tinham. Tragicamente, logo no primeiro dia de trabalho, a bicicleta é roubada. Desesperado, Antonio começa a vasculhar toda a cidade com o seu filho Bruno,em busca da preciosa bicicleta. É essa busca através dos mais variados locais que centraliza toda a narrativa. do filme.


Comenta o professor, mostrando as cenas do vídeo:

Quem escreveu o roteiro foi Zavattinni, que se baseiou em várias histórias conhecidas.O neorealismo tem um aspecto documental. Parece que realmente a rua foi filmada. O plano aberto da rua interfere o mínimo possível na realidade. O De Sicca tinha métodos no limite do questionável…Por exemplo, ele acusou o menino do filme de ter roubado algo, só pra fazer ele chorar….Parece que ele fez uma terapia de choque.
A fotografia do filme é mais escura. Dizem que um desses carros não estavam combinados. Eu já vi essa cena mais de 30000 vezes. Esse filme tem um simbolismo bonito. O menino desconstruindo a figura paterna. O filho devolvendo o chapéu pro pai (…) é uma atuação rica. O De Sicca filma muito. O que acontece no final? Nada! Eles morrem de fome!



A aula prosseguiu abordando Luchino Visconti, que segundo o professor, é um dos grandes artistas Neorealistas. Comenta o Rafael Ciccarini:

O Visconti fez o filme Obsessão, de 1942. Alguns o consideram como sendo o filme pioneiro do neorealismo. Esse filme tem uma trama comum, onde uma mulher planeja com o amante o assassinado do marido, e vem com uma centelha neorealista. Outros filmes neorealistas de Visconti são “A terra firme”, e “Belíssima”. Ultrapassando o Neorealismo, Visconti fez filmes como Rocco e seus irmãos, O Leopardo e Morte em Veneza.


O cinema pelo mundo
Ciccarini prosseguiu a aula, dando ênfase a alguns diretores que ajudaram a construir a história do cinema, nas décadas de 40 e 50. O professor comenta:

“ Não dá pra falar em movimento. Dentro dessa faixa temporal eu elegi alguns diretores.
Ingmar Bergman, foi um dos diretores mais célebres da história do cinema. Ele se tornou um nome conhecido e respeitado e lidava com questões centrais e filosófica, como a morte, a culpa e a existência. (…) Todo artista precisa fazer arte e Bergman vai sem nenhum tipo de pudor tentar descer ao lugar mais fundo. Quase nunca foi uma experiência leve ou prazeirosa. Bergman é também diretor de tearato e começou a fazer filmes na década de 40. Berger se aprofunda na alma feminina”.

Neste instante, Janaína, integrante do nosso grupo, fez uma comparação com Chico Buarque, por que o mesmo é tido como um dos artistas brasileiros que mais entendem a alma feminina.

image
Ingmar Bergman e Chico Buarque de Hollanda…poetas da alma feminina?
Ciccarini citou algums filmes produzidos por Bergman, como Sonata de Outono, onde ele contrascenou com a belíssima Ingrid Bergman, que curiosamente não é sua parente, imagecomo o sobrenome e os
nomes que são parecidos poderiam sugerir. Outros filmes que foram produzidos por ele são Persona, Gritos e Sussuros (1956) e Os morangos Silvestres (1957).

O professor salienta que Bergman lida com o rosto de uma maneira singular e potente:

Bergman demonstra que o cinema é a arte que mostra a verdade do corpo humano como nenhuma outra. Bergman não é o cineasta para você ir com a turma assistir e comer pão de queijo. Para assistir os seus filmes se faz preciso uma certa sensibilidade e um certo sexto sentido.

A aula prosseguiu abordando a figura de Fellini. Comenta o professor:
 
“Fellinni é alguém que construiu um universo extremamente particular, com noções de fantasia, de verdade e mentira, que são noções muito difundidades. O ser humano em sua visão é também o sonho que ele ainda não foi. Neste sentido, a ficção é um documentário da alma. Uma das obras primas do Felini é o filme “Eu me recordo”, onde ele rememora sua infância. O filme traz um mergulho visceral na vida que ele teve ou que ele queria ter tido.
No filme oito e meio, Fellini constrói uma espécie de alterego, uma espécie de autocrítica em relação ao cinema, talvez abordando a questão dele ser um dito mulherengo…O filme tem algo relacionado com paciência e tolerância. Vale à pena dar uma chance ao filme. É um dos filmes mais oníricos da história.
 
imageFrederico Fellini

A aula prosseguiu abordando a figura de Luis Bunel, que segundo Ciccarini foi um grande gênio do cinema espanhol. O professor elucida:

Ele produziu o Cão Andalluz….e tem uma carreira longa e variada. Foi talvez o grande anarquista a história do cinema. Com uma capacidade crítica, ele lia com muito humor. Seus temas prediletos são a igreja e o moralismo. Ele ironiza ricos e pobres. No filme Veridiana , por exemplo, ironiza a Santa ceia. Nos anos 50 ele filmou Os Esquecidos, que mostra de certa forma como os valores se submetem à realidade.
Em O Anjo exterminador (1962), ele mostra a Burguesia aristrocrata jantando. Na hora de ir embora as pessoas não conseguem deixar a sala. Surrealmente as pessoas não conseguem deixar a sala. O filme tem interpretações marxistas, na medida em que se concebe numa metáfora das próprias prisões que os homens criam. O homem se faz prisioneiro das próprias convenções.
 
image Luiz Bunuel

O professor finalizou sua excelente explanação comentando de Billy Wider, que segundo ele é um dos grandes carpinteiros do roteiro e fez todos os gêneros. Comenta Ciccarini que os seus principais filmes foram:
1- Pacto de sangue, que tem o estilo Noar. 2- Farrapo Humano, com Willian Hurts, que linda com o tema do alcoolismo. 3-A montanha dos abutres, com Kirk Douglas. 4- Testemunha de acusação, que é um thiller. 5-Se meu apartamento falasse e 6-Quanto mais quente melhor, com Marilyn Monroe.


Estudo: Grupos Espíritas – 2ª Parte / Ricardo Mizrahy

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Nossa aula, teve prosseguimento com o estudo de excelente Ricardo Mizrahy Polakiewicz, que dissertou mais uma vez sobre os aspectos do trabalho em grupo.
Abaixo, postamos a 2ª parte do o excelente estudo feito pelo Ricardo.


Abaixo segue a apresentação de slides usada por Ricardo.


Um dos destaques de nossa aula foi o Hilário Henrique Lisboa, que chegou à nossa aula fazendo uso de um psicodélico capacete...Não sabemos ainda o motivo do uso do referido capacete.... Mas Henrique continua sendo motivo de muitos risos em nossa turma. Que ele continue sempre com essa alegria!
 


ABRAÇOS A TODOS E ATÉ A PRÓXIMA!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

História do Cinema – Aula 2

Por Juliana Luiza
Fotos de Janaína Macieira  

A segunda aula sobre a história do cinema, foi abrilhantada pela excelente bagagem do professor Rafael Ciccarini, um dos nomes mais conceituados da cena cinematográfica de Minas Gerais.

Ciccarini é o atual editor do site Filmes Polvo, site especializado em crítica cinematográfica, e é também um dos mais conceituados professores da Escola Livre de Cinema.
Ele resumiu com maestria e genialidade, os pormenores de mais um capítulo da história do Revolucionário cinema Russo e de outros capítulos da história da sétima arte, como o surrealismo da vanguarda francesa, o surgimento dos documentários e a chegada da era Ouro de Hollywood.  

Esta foi também uma aula de contrastes, entremeada pela trilha sonora dos gritos dos torcedores do Clube Atlético Mineiro, que para tristeza dos cruzeirenses, extravazavam sua alegria pelas rua dos centro da cidade de Belo Horizonte gritando e urrando: "galooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!" 
Se fazia visível o semblante de preocupação de alguns rapazes atleticanos do grupo, inclusive o caríssimo professor, que fazia o possível para não prestar atenção nos estentóricos gritos....
Os gritos atleticanos não foram capazes, entretanto, de ofuscar o conteúdo da aula e contrastavam,desta forma, com a atenção dos alunos, que estupefatos e silenciosos, tentavam captar ao máximo os ensinamentos da Bíblia da sétima arte Rafael Ciccarini.




Rafael iniciou a aula resumindo o cinema Russo como sendo um dos mais importantes movimentos cinematográficos de todos os tempos, e como sendo um dos mais importantes movimentos dos anos 20.
O cinema desta época, segundo o professor, foi incentivado pelo partido Bolchevique,e serviu como uma espécie de propaganda ideológica dos preceitos de Lennin.
Sergei Eisenstein, segundo Ciccarini, trouxe a idéia da montagem dialética para o cinema.Ciccarini comenta:
"Portanto, o cinema Russo passa neste momento, a ser gerador de idéias. O montador portanto, cria o sentido do filme. Eisestein estuda cada plano minuciosamente e começa a ver os conflitos internos de cada plano. Cada corte vai sendo pensado em uma gama de conceitos."
"Para os Russos nesse momento, o cinema não é um lugar para contar história, mas para construir".  

Mas até o futebol foi esquecido nas chocantes cenas mostradas em um trechos dos filmes de Eisenstein como "A greve" e O encouraçado Potemkin", este último considerado como sendo a obra prima do cinema Russo.
Abaixo, cenas de "A Greve":  


Como demonstrado no vídeo, A GREVE recria brilhantemente a greve que ocorreu em 1912 na Tsarist Russia, num conflito entre operários e policia.    
  
Ciccarini exibiu uma das marcantes cenas do filme, onde Eiseinstein compara, através da montagem, a matança de pessoas à matança de gado. Os "soldados sem rosto" e desumanizados, eram a tradução da opressão do poder.

Um dos pontos altos da aula deste Domingo, entretanto, foi a exibição da cena do "massacre na escadaria", cena do clássico "O encouraçado Potemkin", outra obra prima de Eisenstein. Esta cena oferece tambem uma idéia da opressão do poder e oferece uma excelente visão para a idéia de choque e de conflito.
Algo interessante comentado por Ciccarini foi o fato de Eisestein oferecer uma "crítica ao protagonista". Não existe um ator principal, mas sim uma "classe protagonista". Ainda segundo o professor, os personagens de Eisestein não são belos, tal como se convencionou a mostrar no cinema hollywoodiano, mas são sim, ao contrário, pessoas com rostos sofridos e expressões comuns, que são mostrados com destaque.

Confira abaixo cenas do citado filme:

 
Ciccarini comentou:"A cena demonstra que o resultado da Greve foi ineficaz. A senhora vai falar com os soldados. Os corpos estão margiando os personagens...A personagem vai ficando cada vez menor, caindo em meio às sombras".

No que diz respeito ao cinema Russo, o professor ainda elucidou a figura de Dziga Vertov: "Vertov trouxe a idéia da câmera como o olho humano. Nesta perspectiva, fatos da vida são colhidos pelo cinema (cinefato).Vertov posuía uma concepção radical, reveladora da verdade e negadora da ficção".
O professor ainda abordou o surrealismo da vanguarda francesa, que se deu em um momento que os artistas extrapolaram o limite da razão.
Ciccarini elucida que o "artista surreal tem o extinto puro da criação. O que inspira este artista é sempre a chamada inspiração primeira".  

A exibição de um trecho de O Cão Andaluz (1929) de Luiz Bunuel causou um certo espanto no grupo. Alguns consideram as cenas como sendo "bizarras". Ciccarini disse que este seria o filme mais exibido da história do cinema: "O filme se traduz numa espécie de provocação e não faz sentido lógico-racional, mas demonstra algo que não se consegue verbalizar. Este estilo se traduz, portanto, como sendo um paradigma do surrealismo", diz o professor.  Confira abaixo trechos do filme:



Ciccarini finalizou a excelente aula com uma elucidação sobre clássicos documentários. Segundo o professor, o documentário é um discurso cinematográfico à partir do real. Portanto, a encenação sempre vai acontecer neste gênero.
O momento mais marcante desta aula foi talvez a exibição de trechos do clássico documentário Nazista "O triunfo da vontade" de Leni Riefenstahl.  O trecho que mostra Hittler sendo ovacionado pela multidão, que eufórica enaltecia sua figura como sendo um messias, causou espanto e estupefação na nossa platéia. Segundo Ciccarini, este filme ajudou a construir o modelo de como "se deveria receber o Führer". O professor comentou que tudo se traduz tal como um filme de terror. O filme é mostrado milimetricamente, focando na expressão das pessoas e nas crianças sorrindo.
A cena de Hittler ganhando um bouquet de Rosas de uma senhora com uma criança nos braços, segundo o professor, é um claro exemplo da mistura de realidade e encenação.  
Assista abaixo a primeira parte de "O triunfo da vontade":



Ciccarini ainda comentou sobre o realismo poético francês, onde a volta do real, favorece artistas ousados como Jean Cocteau: "No realismo poético, imagens metaforisam o ato de sofrer. Busca-se a beleza máxima de cada plano. Jean Renoir (filho do pintor e mito Pierre August Renoir),que se revela como sendo um dos maiores cineastas franceses da história, foi um dos nomes marcantes deste período que seu deu na década de 30. Suas obras mais famosas são "A grande ilusão (1937), A Besta Humana (1938) e "A regra do jogo" (1939)".

O professor, finalizando a aula, elucidou a hollywood nascente, na formação da indústria e dos gêneros cinematográficos. Conceitos como o "estúdio system", a superexposição e a glamourização através do "star system" e conceito industrial por trás da festa do Oscar, foi comentado com entusiasmo por Ciccarini.
Nomes lendários como Frank Capra, que com filmes como "Aconteceu naquela noite" e Walt Disney, com seus clássicos longa metragens animados como "A branca de neve" e "fantasia", foram também elucidados. Os clássicos Westerns de John Ford como "As vinhas do Ira" e "O homem que matou o facínora" foram também comentados.
Ciccarini ainda comentou sobre a comédia ligeira de Howard Hawks, que produziu os filmes "Jejum do amor" e "Levada da breca.
O terror americano, que segundo Cicarinni tem um teor mais leve. também foi apreciado, especialmente nos sobre os filmes dos Irmãos Marx como "Gênios da pelota" e "Diabo à quatro". 

 

A excelente aula de Ciccarini terminou deixando mais uma vez muito um rastro de muito conhecimento e aprendizado a todos os membros do grupo.  
A nossa aula deste Domingo foi finalizada com uma maravilhoso estudo sobre arte espírita, que foi feito por Adriano Alves, um nome marcante do perfil da arte espírita Belo Horizontina.  




Adriano explicitou que através de Kardec, aprendemos que “O que há de sublime na arte é a poesia do ideal, que nos transporta para fora da esfera acanhada de nossas atividades.”
Adriano comenta que a arte presta culto à Deus e à liberdade, por isso a arte espírita é muito maior do que mostrar certos esteriótipos. Segundo o palestrante, nesta arte deve existir o ideal da ética, o ideal do equilíbrio, e um ideal maior que se traduz no ideal de Jesus. Enquanto o homem permanecer no materialismo, ele não conseguirá alcançar a idéia de arte.
Um frase dita por Fred, talvez resuma todos comentários sobre o assunto arte espírita. MAIOR QUE O AMOR À VERDADE É A VERDADE DO AMOR.



Fred fazendo pose....Destaque para o seu topete Elvis Presley

Portanto, os comentários gerais de todo o grupo, concluíram que a técnica deve ter ser usada principalmente em favor da mensagem, em favor de um ideal maior....
Ficamos pro aqui....
Até a próxima aula...!